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Bitcoin em ponto de decisão: pode cair ainda mais!

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À primeira vista, o mercado de criptoativos parece ter deixado os traumas de dezembro para trás. Com o preço do BTC/USD  (BTC) sendo negociado na faixa de US$ 93.000 a US$ 95.000 e a capitalização total do mercado orbitando confortavelmente os US$ 3,3 trilhões, a narrativa predominante nos fóruns de varejo e nas manchetes das grandes gestoras é de retomada.

No entanto, a realidade que se desenha diante de nós hoje é marcada por uma dicotomia profunda entre o otimismo institucional de “vitrine” e os sinais técnicos de exaustão que piscam em vermelho nos bastidores.

Enquanto gigantes como a Grayscale proclamam o fim dos ciclos tradicionais e projetam novos topos históricos para este semestre, a estrutura técnica do mercado sugere que podemos estar caminhando para uma armadilha clássica: a formação de um “Topo Descendente” (Lower High) macroscópico.

A Falácia do “Volume Comprador” e o Sinal de Alerta

Para entender por que este rali para os US$ 95.000 me preocupa, precisamos primeiro limpar um conceito errado que contamina a análise de 90% dos investidores de varejo: a ideia de “volume comprador”.

Você já deve ter ouvido que o preço subiu porque houve “muito volume comprador”. Conceitualmente, isso é uma imprecisão perigosa. Em qualquer mercado líquido, para cada ativo comprado, existe um vendido. O volume é apenas o registro da atividade, não da direção. O que realmente move o preço é a agressividade das ordens consumindo a liquidez do livro de ofertas.

A metodologia que aplicamos aqui audita a relação entre Esforço (Volume) e Resultado (Movimentação de Preço). E é aqui que a luz amarela acende.

O movimento de alta que estamos vendo desde os mínimos de US$ 86.000 em dezembro demonstra uma “anomalia” clássica. O preço está subindo, mas gradativamente mais lentamente, conforme isso acontece, o volume nas principais exchanges está começando a decrescer. Nesses casos, temos uma indicação de possível exaustão da força compradora, que deveria continuar impulsionando o mercado na sua direção atual, que, no caso, é para cima.

Simpáticos ao Smart Money Concepts (SMC) vão reverberar que grandes operadores institucionais (o “dinheiro inteligente”) estão participando ativamente da compra nestes níveis. Mas, pelo contrário: a incapacidade de romper com convicção a zona de US$ 100.000 sugere que a liquidez bullish “disponível” pode estar se esvaindo. Em outras palavras, conforme o mercado está subindo, cada vez fica menor a atividade comercial, indicando que pode estar havendo uma queda no interesse em negociar os ativos conforme avança para regiões de preços mais altos.

Bitcoin (BTC): O Desenho do Topo Descendente

Vamos aos números frios. O Bitcoin atingiu seu pico histórico (ATH) de aproximadamente US$ 126.000 em 6 de outubro de 2025. O rali subsequente sofreu uma reversão aguda, testando US$ 86.000 em dezembro. A recuperação atual para US$ 97.000 ocorre dentro desse contexto atual de tendência macro de baixa.

A tese de cautela que apresento hoje é baseada na busca por formação de um Topo Descendente, visível pelo gráfico semanal. Ainda nos gráficos semanais, observe que os preços estão agora enfrentando a região das EMAs 12 e 26 períodos, que podem funcionar como referência ideal para marcar o fim dessa retração de alta, encontrando assim o novo topo descendente da tendência macro de baixa.

Se o Bitcoin perder o suporte de US$ 86.000 com volume crescente, a estrutura de Topo Descendente estará confirmada. O alvo técnico? Uma possível correção severa, podendo levar o preço para regiões de US$ 60.000 a US$ 75.000, expurgando principalmente traders com alavancagem excessiva.

Cuidado para não ser pego despreparado

O mercado de criptoativos não é um monólito. Estamos diante de um ecossistema bifurcado. De um lado, o Bitcoin mostra sinais de exaustão cíclica possivelmente disfarçados de recuperação. 

O meu olhar para o Bitcoin é de cautela extrema buscando proteção se o BTC perder os US$ 86.000. Para quem acredita que a festa nunca acaba, você pode estar comprando topos. Portanto, cautela. Não seja a liquidez de saída para o mercado.

 

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