Como o mercado tem reagido as quedas do Bitcoin

Veja o que dizem empresários do setor.

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O Bitcoin tem passado por constantes quedas desde abril. Só no último mês a principal das criptomoedas caiu mais de 35%, mas esse cenário não tem desanimado o mercado o qual associa essa queda a uma breve correção que teve entre os seus fatores os ataques contra o Bitcoin promovidos por Elon Musk e a proibição de empresas cripto na China. 

Ricardo Da Ros, diretor da Binance no Brasil, afirma ao Livecoins que essa queda não afeta o histórico de valorização desse ativo criptografado, o qual tem sido um dos melhores ativos em valorização.

“Apesar da grande correção, o preço está mais de 50% acima da máxima anterior.  Essa baixa pode ser uma boa oportunidade para aumentar o portfólio”.

Para Ricardo Dantas, CO-CEO da Foxbit, essas correções são normais e não motivo para o mercado se abalar: 

“O Bitcoin sai de US$ 17 mil para US$ 64 mil em menos de seis meses, então uma correção era esperada e necessária para consolidação do preço. Mesmo assim, olhando ao longo prazo, a tendência é sempre de valorização”.

Essa também é a visão de Vinicius Frias, CEO do Alter. Ele diz que essas quedas acabam assustando os mais novos nesse mercado, mas que a empresa sempre alerta aos seus clientes de que esse mercado passa por essas correções.

O resultado, segundo Frias, é de que os seus clientes vêm “aumentando posições em Bitcoins, confiando que os fundamentos da criptomoeda não mudaram e pode se tratar de excelente oportunidade para quem mira o longo prazo”.

Efeito Elon Musk no Bitcoin

Apesar desse otimismo, há fatores que contribuíram para a desvalorização do Bitcoin. De acordo com Bernardo Schucman, vice presidente sênior de operações de Data Center na CleanSpark, a grande volatilidade ocorrida nas três últimas semanas teria decorrido das restrições impostas pelo governo chinês, proibindo mineração de Bitcoin na grande maioria das atuais regiões onde hoje estão localizadas as maiores fazendas de mineração da China.

Schucman diz que os tuítes de Elon Musk também intensificaram a queda do preço do Bitcoin. Ele, no entanto, aposta numa breve valorização nos próximos dias.  

“Elon Musk já provou ter uma grande influência no humor dos investidores de criptomoedas e no preço dos ativos. Para as próximas semanas devemos esperar uma valorização de preço do Bitcoin impulsionada pelo aumento da força computacional da rede levada pela instalação do equipamento de mineração ,antes operando em solo chinês ,que está sendo reinstalado em solo americano”. 

Rafael Izidoro, CEO da Rispar, lembra que a queda do Bitcoin se iniciou “com Elon manipulando mercado, seguindo da China banindo mineradores e uma ‘fake news’ sobre controle governamental americano na moeda”.

Esses fatores ligados à China e aos tuítes de Elon Musk, segundo Bruno Milanello, executivo de investimentos do Mercado Bitcoin, teve impactos significativos nos preços que  “foram potencializados pelo alto grau de alavancagem por meio do uso de derivativos”.

De acordo com Milanello, algumas exchanges internacionais permitem alavancagem de até 100 vezes o colateral depositado pelo investidor. O resultado, ele explica, é que quando o 

O volume é muito alto em determinados patamares de preço, a pressão no mercado aumenta.

O problema é que se o preço esperado pelo mercado não acontece e surgem prejuízos, os colaterais depositados são liquidados, provocando um efeito cascata. Esse foi, segundo Milanello, o efeito que ocorreu recentemente.

Bitcoin e sua volatilidade no mercado

O executivo do Mercado Bitcoin, apesar disso, afirma que o problema não começou com Elon Musk e tampouco com a China: 

“A volatilidade teve início com a mudança dos dirigentes dos órgãos reguladores do governo Biden. Isso tem influência porque o mercado como um todo – de ativos tradicionais e alternativos como criptomoedas – precisam ‘aprender’ a nova linguagem trazida pelos novos comandantes.”

Da Ros vai além e afirma que o comentário do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi também um fator que colaborou com a queda do preço do Bitcoin. 

A questão, porém, é que conforme aponta Milanello, a volatilidade não é, necessariamente, algo ruim para o mercado uma vez que surgem “diversas oportunidades de entrar e sair dos investimentos, sejam eles em cripto ou em ativos tradicionais, e isso pode aumentar o volume como também pode reduzir”.

Carlos Lain, Ceo da Pagcripto, associa o aumento de volume transacional com os períodos de alta volatilidade e isso, sob o ponto de vista dele, vale também para os momentos de queda de valor do ativo. Esse aumento nas negociações não perdura por muito tempo.

“A demanda foi muito forte e agora que entramos possivelmente num ponto de alto risco para qualquer movimento, o mercado Brasileiro tem ficado mais cauteloso ao entrar nas posições, a queda do dólar também incentiva isso”.

Lain acredita que, hoje, os compradores estão mais cautelosos “enquanto que  os vendedores pouco conseguem melhorar seus preços, o que tem diminuído bastante o volume de negociações nesse início de mês de junho.” 

Isso, entretanto, não significa que não haverá mais procura pela criptomoeda. Izidoro lembra que os fundamentos do Bitcoin não mudaram e enquanto ela continua escassa há, por outro lado, uma tendência de aumento na sua procura.

“Bitcoin continua crescendo em adoção, se tornando cada vez mais escasso e pela primeira vez se torna moeda de curso forçado em um país como El Salvador.”

El Salvador e o Bitcoin como moeda

A aprovação do uso do Bitcoin como moeda legal em El Salvador é vista com entusiasmo também por Milanello. Ele acredita que as mudanças nas vidas dos salvadorenhos trará maior aceitabilidade da criptomoeda.

“As empresas terão que aceitar Bitcoin como forma de pagamento; os salvadorenhos poderão pagar impostos e empréstimos bancários no Bitcoin; Salvadorenhos que convertam Bitcoin para outras moedas não pagarão imposto sobre ganhos de capital”.

Além disso, a adoção da criptomoeda pode resolver o problema de acesso ao sistema financeiro naquele país, uma vez que 70% dos salvadorenhos ainda não têm acesso aos serviços financeiros tradicionais. 

Ele afirma que o Bitcoin pode servir como alívio sobre o pagamento de taxa de remessa. Além de as taxas de negociações com Bitcoin serem bem mais baratas do que aquelas feitas pelo modo tradicional, o executivo menciona que “um em cada quatro salvadorenhos vive no exterior e que três de cada dez dólares que circulam na economia local vem de fora”. 

A questão é que há ainda preocupações com os riscos econômicos representados pela extrema volatilidade do Bitcoin que não podem ser descartadas na visão de Milanello.

Palavra do especialista

Fausto Botelho, analista técnico de mercado e fundador da enfoque, entende que apesar das correções recentes, o mercado segue numa tendência de alta de longo prazo a qual teria iniciado em setembro de 2020.

Ele explica que o primeiro movimento foi o Bitcoin sair de US$ 10 mil para US$ 65 mil e que agora o mercado experimenta um processo corretivo desse primeiro movimento. 

 “Isso que guarda proporções Fibonacci. Quando se tem um movimento desses, o mercado pode corrigir ponto 382(mais ou menos 40% de correção em termos exponenciais) ou ponto 618 que é praticamente 62%”.

De acordo com Botelho, o que houve foi a correção do primeiro nível Fibonacci ponto 382, com o Bitcoin chegando próximo dos US$ 30mil. Ele afirma que é bem possível que esse movimento corretivo já tenha terminado. Há a expectativa, portanto, que no próximo movimento de alta haja o rompimento do topo a 65%, chegando o ativo criptografado ultrapassar US$ 100 mil.

Apesar de ter sido uma correção natural do mercado, Botelho não descarta a influência de Elon Musk nesse processo.

“Elon Musk ter feito o tweet dele influenciou pessoas e isso fez com que essas pessoas colocassem ordens de vendas nos diversos livros de ofertas  nas diversas exchanges que negociam Bitcoins. Isso pode ter colaborado sim para uma queda, mas é algo momentâneo. Essa queda ocorreu num processo de correção”. 

O especialista explica que não é um fator de notícia isolada que impacta o mercado, mas a interpretação dos investidores.  Com isso, o fato de El Salvador adotar o Bitcoin como moeda de curso legal, por si só, não impacta o mercado, mas como as pessoas interpretam esse acontecimento, sim.

“O que interessa é como as pessoas interpretam esses fatos. O preço nada mais é do que o resultado dessa média de opiniões que acaba colocando ordens de compra e venda no pregão e que no final das contas se as ordens de compra superam as ordens de vendas o mercado sobe”, elucida Botelho.

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