O BitMart Token (BMX), criptomoeda ligada à corretora BitMart, perdeu 65% de seu valor na sexta-feira (24), quase dois dias antes da plataforma anunciar que estaria encerrando as suas atividades.
Após o anúncio oficial, o token seguiu perdendo valor, acumulando perdas de 85% em relação ao seu preço anterior.
Em relação ao valor de mercado, a criptomoeda saiu de US$ 100 milhões na sexta-feira (24) para somente US$ 18 milhões no momento desta redação.

Anúncio de saída dos EUA pode ter causado queda da criptomoeda da BitMart
O momento da queda chama a atenção do mercado já que aconteceu antes da corretora anunciar o fim de suas atividades. No entanto, a BitMart já havia feito outro anúncio importante às 20h59 da quinta-feira (23) pelo horário de Brasília.
Em suma, o texto informa que a corretora deixou de aceitar registros de novos usuários dos EUA em maio de 2022, mas que contas existentes poderiam estar operando na plataforma.
“Se você atualmente reside ou está localizado nos Estados Unidos, ou de outra forma se enquadra como usuário dos EUA conforme o Acordo de Usuário da BitMart e as políticas aplicáveis, conclua as seguintes ações até, no máximo, 08/08/2026 às 23h59 UTC, o que corresponde a 15 dias corridos a partir da data deste aviso.”
Seguindo, a mensagem recomenda que investidores americanos saques suas criptomoedas e aponta que essas contas poderão ser impedidas de realizar novos depósitos, abrir novas posições e acessar outros produtos.
Dados do ICO Analytics colocam a BitMart entre as dez corretoras de criptomoedas mais acessadas do mundo. Uma análise feita pelo Livecoins mostra que os EUA estão entre os países que mais acessam a corretora nos últimos meses.

Portanto, isso explicaria a queda de 65% da criptomoeda da BitMart.
Em outros dois anúncios, publicados nos dias 24 e 25, antes do aviso de encerramento das operações, a corretora também anunciou a descontinuação dos serviços de Automated Market Making e de negociação do serviço de Spot Margin.
Corretora poderia estar com problemas com reguladores americanos?
Conforme a BitMart possui um grande volume de negociações nos mercados spot e de derivativos, bem como um tráfego maior que outros nomes famosos do setor, o anúncio de encerramento chamou a atenção da comunidade.
A notícia pegou até mesmo Nenter Chow, então CEO da BitMart, de surpresa. Segundo o executivo, ele foi desligado na última sexta-feira (24) e só ficou sabendo do fim da corretora no mesmo momento que o público.
Dado que a corretora não possui uma prova de reservas para mostrar que possui saldo suficiente para honrar pedidos de saques, há uma grande expectativa do mercado sobre o processamento desses pedidos.
Até porque a BitMart passou por um hack de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) em dezembro de 2021. Na data, Sheldon Xia, fundador da BitMart, afirmou que hackers roubaram suas chaves privadas.
Voltando ao anúncio da quinta-feira (23) sobre investidores americanos, isso explica a queda da criptomoeda BMX, mas também dá espaço para imaginar que a BitMart estaria sofrendo uma pressão de reguladores dos EUA.
Apesar disso, atualmente não há nenhum processo público contra a corretora nos EUA.
