Deputado quer lei que obriga herança de Bitcoin e redes sociais aos familiares

Proposta apresentada pelo deputado Jonas Donizette (PSB/SP) visa obrigar a transmissão de bitcoin

A Câmara dos Deputados recebeu na quarta-feira (4) o Projeto de Lei 246/2026, que pretende alterar o Código Civil brasileiro para garantir, de forma expressa, o direito de herança sobre bens digitais.

De autoria do deputado federal Jonas Donizette (PSB/SP), a proposta visa preencher uma lacuna jurídica que hoje obriga famílias a enfrentarem longas batalhas judiciais para obter acesso a patrimônios virtuais de parentes falecidos.

O texto sugere a inclusão de um parágrafo único no artigo 1.784 da Lei nº 10.406/2002, estipulando que “bens e dados digitais de conteúdo patrimonial e relacionados à memória da família” devem ser transmitidos automaticamente aos herdeiros legítimos e testamentários.

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A redação do projeto cita nominalmente as “criptomoedas“, além de páginas, contas virtuais, fotos e vídeos, equiparando esses ativos a bens tradicionais como imóveis e veículos para fins de partilha.

Na justificativa, o parlamentar argumenta que a legislação nacional precisa acompanhar a transformação tecnológica e proteger a soberania do direito sucessório brasileiro frente aos termos de uso de empresas estrangeiras — como Google, Meta ou corretoras internacionais —, que frequentemente negam acesso a contas post-mortem.

Se aprovada, a medida daria segurança jurídica para que inventariantes exijam a transferência de saldos e arquivos, alinhando o Brasil a países como Espanha e Alemanha, que já modernizaram suas diretrizes para proteger o patrimônio digital.

Chave privada: lei pode ser inútil para Bitcoin

Embora a iniciativa legislativa represente um avanço para quem mantém fundos em corretoras (exchanges), ela enfrenta um obstáculo técnico intransponível quando se trata de autocustódia de bitcoin.

Se o investidor falecido mantinha seus Bitcoins em uma carteira privada e não deixou anotadas as chaves privadas para a família, a nova lei será inútil.

Diferente de uma conta bancária ou de uma exchange centralizada, onde um juiz pode expedir um ofício obrigando a empresa a transferir o saldo, na blockchain não existe uma autoridade central para acatar ordens judiciais.

Sem a chave privada, os fundos tornam-se inacessíveis para sempre, independentemente do que diga o Código Civil ou uma sentença judicial.

Portanto, mesmo com a aprovação do projeto, a herança cripto continuará dependendo mais do planejamento sucessório e da organização pessoal do investidor do que da força da caneta do Estado.

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Bruno Costa
Bruno Costahttps://bruno-costa.com
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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