Elas viajaram pagando só com criptomoedas; veja o que aconteceu!

"Trabalho de educação, mostrando que o bitcoin, muito mais do que um ativo, é uma moeda"

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Carol Souza (direita) e Kaká Furlan (esquerda) , fundadoras do canal UseCripto. Reprodução/YouTube
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No ano passado, a publicitária Kaká Furlan, 33, e a dentista Carol Souza, 32, decidiram viajar pagando tudo – gasolina, comida e até café – com criptomoedas. Elas saíram de Porto Alegre (RS), onde moram, e foram para Florianópolis (SC), cidade que fica a cerca de 460 quilômetros da capital gaúcha. Por lá, ficaram quatro dias.

A aventura das empreendedoras – donas de uma canal no YouTube sobre criptoeconomia – foi contada na websérie LiveOnCrypto, projeto delas que busca mostrar como bitcoins e outras moedas digitais estão impactando a sociedade.

A reportagem do Livecoins conversou com as duas entusiastas das criptmoedas na manhã desta sexta-feira (21).

Primeira (e única) baixa foi o pedágio

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O primeiro desafio de Kaká e Carol foi abastecer o carro. Isso porque dentre os quase 300 postos de combustíveis da capital gaúcha (dado da Sulpetro) apenas um aceita criptomoedas, de acordo com as meninas.

O segundo obstáculo foi o pedágio. No Brasil, as concessionárias aceitam somente dinheiro e cheque. Nem cartão de crédito e débito podem ser usados para atravessar as praças.

Para não ter que desembolsar dinheiro na primeira parada, elas tiveram que sair da rodovia principal e pegar outro caminho. Fugir do segundo pedágio, no entanto, não foi possível.

“Foi a nossa única ‘baixa’. Tivemos que pagar com dinheiro. Por sorte tem um estabelecimento comercial próximo do pedágio. Fomos lá, pagamos um valor maior por uma compra feita com cartão e o atendente nos deu o valor necessário”, disse Kaká.

Hospedagem, café e chope pagos com criptomoedas

Carol Souza (direita) e Kaká Furlan (esquerda) , fundadoras do canal UseCripto. Reprodução/YouTube
Carol Souza (direita) e Kaká Furlan (esquerda) , fundadoras do canal UseCripto. Reprodução/YouTube

Na Ilha da Magia – apelido carinhoso dado à capital catarinense por causa de suas belezas naturais – foi possível viver só com criptomoedas, mas não foi fácil.

A cidade tem centenas de estabelecimentos hoteleiros, mas apenas um – o Hostel Casa Terra, na região central da ilha – aceita criptomoedas como opção de pagamento, segundo as meninas.

Já para comer, uma das únicas opções é a Mercadoteca, um espaço gastronômico também no centro de capital catarinense. Por lá, Kaká e Carol conseguiram tomar um chope e comer um escondidinho.

Um shopping onde 95% das lojas aceitam criptomoedas

A surpresa (boa) em Florianópolis foi o Multi Open Mall, um shopping onde 95% das lojas aceitam bitcoins e outras moedas digitais. “É o primeiro do Brasil a ter opções de pagamentos em criptomoedas”, disse Carol.

No espaço, as meninas tomaram café, comeram e até compraram grãos com bitcoins.

De acordo com elas, os lojistas aderiram à ideia da criptoeconomia por causa do trabalho feito pela Bancryp, uma fintech catarinense que oferece soluções voltadas para usabilidade, inclusive maquininhas para pagamento em “cripto”.

Nas lojas do shopping, os produtos podem ser pagos com bitcoins ou outras moedas, mas os comerciantes recebem em reais, o que facilitou a aceitação, disseram as meninas.

Kaká Furlan (esquerda) e Carol Souza (direita), fundadoras do canal UseCripto. Reprodução/YouTube

É preciso se planejar, mas mesmo assim há dificuldade

Antes de viajar pagando só com criptomoedas, é preciso se planejar e fazer uma mapeamento dos locais crypto friendly, segundo Kaká e Carol.

“Tem que pesquisar no Google os lugares que aceitam criptomoedas e dar uma olhada no Coinmap (site que mostra estabelecimentos onde é possível pagar com criptomoedas)”, falou Carol.

Mesmo assim, falaram, ainda há dificuldade. Isso porque as informações publicadas na internet – seja nas páginas dos pontos comerciais ou mesmo os dados do CoinMap – são desatualizadas.

Em uma viagem que fizeram para São Francisco, na Califórnia (EUA), por exemplo, elas perceberam que diversos lugares que aceitavam bitcoins em 2017, deixaram de aceitar em 2018, possivelmente por causa da queda da moeda.

“Por isso, é sempre importante também falar com as pessoas da comunidade onde você irá ficar, além de ligar para os estabelecimentos para confirmar se ainda aceitam a moeda digital”, falou Kaká.

Como introduzir as criptomoedas na vida das pessoas?

As criptomoedas só começarão a fazer parte do dia a dia da população, seja aqui no Brasil ou no exterior, se existir um trabalho em conjunto entre comerciantes, entusiastas do mundo “cripto” e pessoas, disseram as empreendedoras.

“Estamos em um momento único, em que todos têm curiosidade sobre o funcionamento desse mercado. Por isso, achamos que é importante fazer um trabalho de educação, mostrando que o bitcoin, muito mais do que um ativo, é uma moeda”.

Nos próximos anos, para fomentar ainda mais a ideia de que as moedas digitais podem ser usadas no dia a dia, elas pretendem viajar para outras cidades do Brasil e do mundo pagando apenas com bitcoins. São Paulo, Buenos Aires, na Argetina, e Praga, na República Checa, são alguns dos destinos.

De acordo com as empreendedores, uma iniciativa que pode colaborar ainda mais com a criptoeconomia no Brasil é o Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos do BC (Banco Central).“Acreditamos que a população, ao começar a usar a plataforma em novembro, vai ficar mais próxima da economia digital”.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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