
Stablecoins também são chamadas de dólares digitais. Imagem: Audy of Course/Pexels.
Um recente estudo publicado pelo Federal Reserve de Nova York analisou como as stablecoins são movimentadas em países durante períodos de crises econômicas locais. A descoberta mostra que as atividades aumentam durante esses períodos.
O texto inicia explicando o trilema de Mundell-Fleming, que afirma que um país não pode manter uma taxa de câmbio fixa, livre mobilidade de capitais e uma política monetária independente ao mesmo tempo.
Conforme as stablecoins são uma tecnologia rápida e sem fronteira, os analistas explicam os impactos dessas moedas sobre esse trilema.
A facilidade de exposição às criptomoedas está fazendo com que pessoas corram para o dólar enquanto moedas locais perdem seu poder de compra.
Um estudo realizado pelo Fed de Nova York analisou eventos de crise cambial ocorridos entre o início de 2021 e o fim de 2025. Dentre os países listados estão Argentina, Rússia, Nigéria e Irã.
Para determinar os donos das carteiras e suas geolocalizações, os analistas usaram endereços ENS (Ethereum Name Services), que funcionam de forma semelhante a domínios de internet, com outros dados.
“As evidências empíricas validam a principal premissa do modelo, segundo a qual a pressão pela fuga de capitais aumenta a adoção de stablecoins. As stablecoins, portanto, tornam o trilema de Mundell-Fleming mais rígido, reduzindo a capacidade do governo de manter uma política monetária independente sob um regime de câmbio fixo.”
Seguindo, o estudo também compara a adoção do Bitcoin contra stablecoins, mas com transações de wrapped Bitcoin (wBTC) em vez de Bitcoin nativo. Os analistas apontam que as carteiras não parecem acumular outras criptomoedas que não sejam stablecoins em meio a uma crise.
Conforme 99% das stablecoins são denominadas em dólar, os EUA seriam os principais beneficiados dessa adoção. Apesar disso, dados do CoinMarketCap mostram que o setor está avaliado em somente US$ 312 bilhões, um número pequeno quando comparado à oferta monetária da moeda americana.
De qualquer forma, até mesmo países com moedas fortes estão preocupados com essa facilidade das pessoas migrarem de moeda.
O principal exemplo é a União Europeia, onde Christine Lagarde, presidente do BCE, pediu agilidade na criação do euro digital enquanto citava preocupações com stablecoins atreladas ao dólar americano.
Portanto, países com moedas mais fracas devem sofrer ainda mais com a facilidade dessa migração de capital. Por outro lado, também pode forçar esses governos a cuidar melhor de suas moedas.