
Casa americana. Foto: Erik Mclean/Pexels.
O mundo entrou em uma forte crise após o colapso da bolha imobiliária de 2008, iniciado nos EUA. Na época, uma das empresas mais afetadas foi a Fannie Mae, então exposta a enormes volumes de hipotecas de alto risco, o que levou a um resgate pelo governo americano.
Pouco depois, Satoshi Nakamoto lançou o Bitcoin e deixou, no bloco gênesis, uma crítica direta sobre a socialização de prejuízos e a privatização de ganhos.
Dezessete anos depois, a Fannie Mae começa a aceitar hipotecas lastreadas em Bitcoin e USDC. Na prática, o investidor não precisará vender suas moedas, apenas usá-las como garantia.
O anúncio não teve impacto direto no preço do Bitcoin, que opera em queda de 2,9% nas últimas 24 horas, mas mostra quão longe a criptomoeda chegou.
Em texto publicado em seu blog, a corretora Coinbase explica que as hipotecas lastreadas em criptomoedas funcionam como um financiamento imobiliário convencional, ou seja, com as mesmas proteções legais.
“A diferença principal é simples: em vez de precisar juntar dinheiro para a entrada, o tomador pode dar seus criptoativos como garantia de um segundo empréstimo, usado para cobrir o pagamento inicial. Isso representa um avanço importante para a utilidade prática das criptomoedas, trazendo mais estabilidade e respaldo governamental.”
Enquanto a Coinbase será responsável por fornecer a infraestrutura cripto, a Better Home & Finance administrará os financiamentos. Já a Fannie Mae garantirá que as hipotecas sigam seus critérios.
Segundo a corretora, o principal problema resolvido com essa solução é o de liquidez. Na prática, o programa amplia o acesso à casa própria sem exigir a venda das criptomoedas.
“Para comprar uma casa de US$ 500 mil, é possível dar US$ 250 mil em BTC como garantia e obter um empréstimo de US$ 100 mil para cobrir a entrada”, exemplifica a Coinbase. “Suas criptomoedas ficam sob custódia na conta da Coinbase Prime da Better durante toda a vigência do empréstimo e serão devolvidas após a quitação.”
Outro destaque é que os termos do financiamento não são afetados pela volatilidade do Bitcoin. Portanto, mesmo que o preço da criptomoeda caia, as condições da hipoteca permanecem iguais.
Para o Bitcoin, o programa não deverá criar uma demanda no curto prazo, ou seja, não deve afetar o seu preço. Ainda assim, seu uso como garantia para compra de imóveis é mais um marco relevante para a criptomoeda, reforçando sua legitimidade institucional, como já havia ocorrido com a aprovação dos ETFs.
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