Fundadora da Kalshi defende que proibição é a pior escolha: “perde a arrecadação de impostos, não tem proteção ao consumidor e perde o rastro do dinheiro”

Brasileira destaca que eles estão acostumados com esse desafio educacional e que muitos países hoje estão onde os Estados Unidos estavam em 2019

Luana Lopes Lara, fundadora da Kalshi, acredita que a proibição dos mercados de previsão no Brasil é a pior escolha possível para um governo. Em conversa com a Bloomberg Línea, publicada nesta terça-feira (9), a bilionária afirma que sua empresa está trabalhando com o governo brasileiro para reverter uma normativa publicada pelo Banco Central em abril.

Sua justificativa é que uma proibição faz com que o governo deixe de arrecadar impostos, não forneça proteção ao consumidor e, por fim, também perde o rastro do dinheiro.

Além da Kalshi, outras empresas do setor foram afetadas pela decisão do BCB, incluindo sua maior rival, a Polymarket.

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Brasileira explica diferença entre mercados de previsão e jogos de azar

Uma das principais críticas contra os mercados de previsão é que eles são uma espécie de cassino disfarçado. Como exemplo, o perfil do Governo do Brasil no X publicou em abril que o objetivo do banimento era “proteger a estabilidade financeira e saúde mental” dos brasileiros.

Comentando sobre essa comparação, Luana Lopes Lara aponta que a grande diferença é entre a mecânica de negócios e incentivos.

Enquanto usuários apostam contra a casa em uma casa esportiva, que define as probabilidades e lucra com a sua perda, os usuários negociam contra outros usuários em mercados de previsões.

“Na Kalshi, nós não participamos dos trades. Somos uma bolsa, exatamente como o mercado de ações. Nós não temos incentivo para as pessoas perderem. Funcionamos como se fosse um mercado de ações, onde as pessoas vão comprar e vender ‘ações’ sobre o que vai acontecer no futuro. Essa diferença mecânica dos incentivos da empresa faz muita diferença na proteção ao consumidor e na forma como funciona a questão de dados.”

Indo além, a brasileira também aponta que esses mercados podem ser utilizados como forma de proteção.

Como exemplo, cita que a final da NBA é uma melhor de 7 jogos, mas que pode acabar em 4 caso uma equipe vença todos eles em sequência. Como consequência, isso pode diminuir a receita de hotéis, bares e comércio de uma cidade.

“Esta era uma cadeia gigantesca que não tinha como participar de hedging e mitigar os seus riscos, como ocorre em mercados tradicionais como a agricultura. Hoje, donos de bares e hotéis utilizam a Kalshi para fazer hedging (mitigação de risco).”

Em outro trecho, a executiva também rebate as críticas de que 70% dos usuários de mercado de previsão perdem dinheiro, apontando que essa porcentagem pode chegar a 95% em daytrade, ações, futuros e casas de apostas.

Seguindo, também destaca que sua empresa mantém limites rígidos de depósitos e trading para lidar com a questão do vício, que também atinge outros mercados.

Fundadora da Kalshi diz estar conversando com o governo brasileiro

Apontada atualmente como a mulher bilionária mais jovem que construiu a sua própria fortuna, Luana Lopes Lara diz que sua equipe está conversando com o governo brasileiro para reverter o banimento que afetou a Kalshi e outras plataformas do setor.

“Queremos fazer tudo de um jeito legalizado e regulado em todos os países onde estivermos. Para nós, o que aconteceu no Brasil é um desafio educacional.”

Continuando, a brasileira destaca que eles estão acostumados com esse desafio educacional, já que se trata de um mercado novo, e que “muitos países hoje estão onde os Estados Unidos estavam em 2019”.

Como destaque, Lara comenta que plataformas sediadas em paraísos fiscais capturaram todo o dinheiro do mercado quando apostas em eleições foram proibidas nos EUA.

“Proibir é o pior dos mundos para um governo: você perde a arrecadação de impostos, não tem proteção ao consumidor e perde o rastro do dinheiro. É melhor trabalhar com as empresas para que elas cresçam dentro do país.”

Finalizando, a fundadora da Kalshi diz estar conversando com diversos países da América Latina, Ásia e Europa. Com um crescimento de 15 vezes nos últimos 6 a 8 meses, o objetivo final da Kalshi é realizar um IPO, mas Lara destaca que agora o foco está no crescimento das operações.

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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