“Na hora da venda, oferecem até chocolate; hoje, nem e-mail respondem”, diz cliente que investiu R$ 190 mil na GenBit

Enquanto aguarda um desfecho, falou que seu amigo da universidade, que o convenceu a investir no grupo, virou “superintendente” na GenBit e adora dirigir em Piracicaba com uma Mercedes-benz C 180, avaliada em R$ 120 mil.

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Empresa já tem R$ 1,3 milhão bloqueado na justiça paulista.

Em outubro de 2018, por intermédio de um amigo da universidade, o investidor Pedro*, que pediu para não ter o nome revelado, conheceu a GenBit, antiga Zero10 Club.

A empresa é investigada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e apontada como pirâmide financeira pela Justiça de Jundiaí.

De tanto o tal amigo falar das maravilhas do negócio e mostrar os lucros, Pedro resolveu investir R$ 190 mil na empresa, que é controlada pelo Grupo Tree Part e pela Gensa Serviços Digitais.

A promessa feita a ele, disse, foi um lucro mensal de 15% sobre o capital ao longo de três anos, em bitcoins. O valor total daria quase R$ 1 milhão.

Desde julho, no entanto, o investidor não vê mais a cor de seu dinheiro. Pedro contou à reportagem do Livecoins que, na última quinta-feira (12), saiu de Piracicaba (SP), onde mora, e foi até a sede do conglomerado, em Campinas (SP), para tentar resolver sua situação.

“Fui até lá porque não respondem mais meus e-mails. Ao chegar, no entanto, fui atendido pelo interfone e não me deixaram entrar. O engraçado é que no ano passado, quando fui fechar negócio, prometeram transparência e fui recebido até com chocolate e amendoim”, disse.

Em informativo, empresa diz que não atende mais na sede

Além de Pedro, outras centenas de investidores também estão na mesma situação, como o que depositou R$ 52 mil – valor de uma rescisão trabalhista – no negócio e chegou a perder o apartamento.

A GenBit estima que tem 45 mil clientes, mas não revela quantos estão com saques atrasados.

Em grupos do Telegram, diversos investidores também relataram não conseguir mais contato com o grupo na sede. “Olha onde estou, e adivinha??? Não deixaram eu entrar, pq não tem ninguém aqui que possa me dar atenção”, disse um deles.

A Genbit disse, em informativo divulgado para clientes em novembro, que “não serão mais realizados atendimentos presenciais na base, uma vez que todos os casos estão sujeitos às mesmas tratativas, independente de sua natureza”. 

Em agosto, a empresa disponibilizou os e-mails presidente@treepart.com.br e comercial@treepart.com.br para os investidores enviarem suas dúvidas, mas, de acordo com relatos, ninguém responde as demandas nesses contatos.

Número de processos contra a GenBit na Justiça de SP chega a 200

Por causa dos atrasos nos pagamentos, só na Justiça de São Paulo o número de processos contra a GenBit chegou a quase 200, quatro vezes mais do que a quantidade registrada no final de novembro, conforme levantamento feito pelo Livecoins.

Desde o início dos atrasos, a Justiça determinou o bloqueio de valores do conglomerado a pedido de clientes.

No final de novembro, por exemplo, o juiz Carlos Fakiani Macatti, da 2ª Vara Cível do Foro de Barretos, autorizou o bloqueio de R$ 532,7 mil. Em outro caso, o judiciário autorizou a tutela de R$ 102 mil.

A GenBit, por meio de nota, informou que não comenta questões que estão sendo discutidas na Justiça. Disse ainda que os pagamentos serão normalizados ao longo dos próximos três meses.

O problema é que o grupo quer acertar a dívida com uma tal de TPK (Treep Token), criptomoeda desenvolvida pela própria empresa que não existe em outras exchanges.

Clientes ouvidos pela reportagem, no entanto, relataram que a promessa inicial era que os lucros seriam pagos com bitcoins. A empresa, em nota, informou que na verdade a promessa feita era investimento em “ativos digitais, e assim foi feito”.

“Não tem mercado para essa moeda nova e ela não vale nada”, disse Pedro, que já denunciou a GenBit a diversos órgãos.

Enquanto aguarda um desfecho, falou que seu amigo da universidade, que o convenceu a investir no grupo, virou “superintendente” na GenBit e adora dirigir em Piracicaba com uma Mercedes-benz C 180, avaliada em R$ 120 mil.

* Nome fictício

Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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