Três gestoras americanas estão se preparando para lançar ETFs que servirão para apostar nas eleições eleitorais locais, incluindo midterms e presidencial. Especialistas afirmam que os fundos serão lançados já na próxima terça-feira (5).
No Brasil, recentemente, o Banco Central proibiu que sites como Polymarket e Kalshi ofereçam mercados de previsões sobre temas eleitorais, sociais, culturais e outros.
A diferença de abordagem evidencia um contraste regulatório e cultural entre os dois países. Enquanto o Brasil opta por restringir esse tipo de mercado, os EUA caminham para integrá-lo ao sistema financeiro tradicional.
Americanos poderão apostar em resultados de eleições via ETFs
As três gestoras que entraram com pedidos de ETFs ligados a mercados de previsão eleitoral são Roundhill, GraniteShares e Bitwise. Cada gestora apresentará seis opções de investimento:
- ETF ligado à vitória de um candidato democrata à Presidência;
- ETF ligado à vitória de um candidato republicano à Presidência;
- ETF ligado ao controle democrata do Senado após a eleição;
- ETF ligado ao controle republicano do Senado;
- ETF ligado ao controle democrata da Câmara dos Representantes;
- ETF ligado ao controle republicano da Câmara dos Representantes.

“Ao buscar atingir seu objetivo de investimento, o Fundo investe em, ou busca exposição a, um tipo específico de instrumento derivativo conhecido como “contrato de evento”. Contratos de evento são instrumentos derivativos que permitem aos participantes do mercado negociar com base na ocorrência ou não ocorrência de um evento futuro específico, como o resultado de uma eleição política. Cada contrato de evento possui uma estrutura de pagamento binária, normalmente liquidando a US$ 1,00 se o evento de referência ocorrer e a US$ 0,00 se o evento não ocorrer”, explica a gestora em seu documento.
Em suma, esses ETFs têm preços que variam entre US$ 0 e US$ 1. Após a definição do resultado eleitoral, o ETF vencedor ganha a US$ 1 por cota, enquanto o ETF perdedor perde todo o valor aportado.
Desconsiderando candidatos independentes, a tendência é que pares opostos (como BLUP e REDP) tenham preços que se aproximem de US$ 1 quando somados. Isso pode se refletir em combinações como US$ 0,10 e US$ 0,90, US$ 0,50 e US$ 0,50 ou US$ 0,90 e US$ 0,10, conforme a percepção do mercado pré-resultados.
Nas redes sociais, James Seyffart, especialista da Bloomberg em ETFs, comentou sobre o lançamento desses produtos.
“Parece que veremos ETFs de mercados de previsão sendo lançados na próxima semana. O filing da Roundhill acabou de sair com data efetiva de 5/5. Esses primeiros ETFs de mercados de previsão serão apostas em democratas ou republicanos controlando a Câmara ou o Senado. Crédito a Todd Sohn.”
“Espero que todos os proponentes lancem provavelmente no mesmo dia ou em datas muito próximas. Isso significa que devemos ficar atentos para que Bitwise e GraniteShares apresentem filings semelhantes nos próximos dias (ou horas)”, disse Seyffart em outra postagem.

Brasil trata mercados de previsões como vício
Após o Banco Central do Brasil proibir mercados de previsões ligados a resultados eleitorais, o governo brasileiro lançou vídeos em suas redes sociais para abordar o assunto.
Em um deles, publicado nesta terça-feira (28), o governo afirma que famílias brasileiras estão endividadas por contas de apostas.
“Atenção, o governo do Brasil protegeu a sua família de um perigo que você talvez nem saiba que existe.”
“Você conhece os mercados de previsões? É igual uma aposta, mas a pessoa pode apostar em qualquer coisa que ela quiser: quem vai ganhar um prêmio, uma eleição, que horas alguma coisa vai acontecer, quanto tempo uma entrevista vai durar, até se alguém vai ser preso”, continua o vídeo. “Imagina seu chefe apostando na sua demissão.”
“Imagina agora isso: se as famílias já estão endividadas por causa das bets, se as bets já causam escândalos de manipulação no esporte, imagina o que ia acontecer se cada pessoa pudesse apostar em cada coisa que pode acontecer no mundo. E olha, isso já acontece em outros países, mas aqui não!”
⛔ Chega de vício. O Governo do Brasil BARROU a entrada das plataformas de previsão no país. Elas são um tipo de bet que negocia palpites sobre qualquer coisa que exista. Isso tá oficialmente proibido: não pode.️
❌ Aposta não é investimento, bet não é renda.
📲 Digital/PR pic.twitter.com/eyDDMqCsZV
— Governo do Brasil (@govbr) April 28, 2026
Nos mais de mil comentários, muitos criticaram a postura do governo.
Alguns deles, por exemplo, pedem que apostas esportivas e cassinos também sejam proibidos. Outros, por outro lado, afirmam que tudo deveria ser liberado.
