Paraguai

Governo do Paraguai publica regras para declaração de criptomoedas

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O governo do Paraguai publicou nesta semana uma nova norma que estabelece regras para a declaração de operações com criptomoedas no país. A medida, formalizada pela Dirección Nacional de Ingresos Tributarios (DNIT), cria uma obrigação de prestação de informações sobre transações com criptoativos, mas em um modelo considerado mais simples do que o adotado no Brasil.

A resolução determina que pessoas físicas, empresas ou entidades residentes no país deverão apresentar uma declaração informativa anual quando o volume de transações com criptomoedas ultrapassar US$ 5 mil no período de um ano. A regra se aplica tanto para operações feitas em plataformas quanto para transações realizadas diretamente entre carteiras ou em serviços descentralizados.

Segundo o documento DNIT N.º 47, a declaração deverá incluir detalhes como tipo de operação, data, valor da transação em dólares, quantidade de criptoativos negociados, taxas pagas e, quando possível, identificação das partes envolvidas ou das carteiras utilizadas. A obrigação passa a valer a partir do exercício fiscal de 2026 para contribuintes cujo ano fiscal termina em dezembro.

A norma também estabelece que o envio das informações será feito pelo sistema tributário “Marangatu”, e deverá ocorrer até o terceiro mês após o encerramento do ano fiscal. Em caso de atraso na entrega da declaração, a penalidade prevista é uma multa de 1 milhão de guaranis, equivalente a cerca de US$ 130.

A regra dos US$ 5.000 e os obrigados a declarar

O novo regramento do Paraguai estabelece alguns limites. A declaração tornou-se obrigatória para qualquer pessoa física, jurídica ou entidade residente no país cujo montante anual de transações com criptomoedas supere os 5 mil dólares americanos (US$ 5.000).

A regra vale tanto para movimentações individuais quanto para o conjunto das operações anuais. Além dos usuários, os proprietários, administradores ou responsáveis por plataformas de criptoativos (exchanges) que operam no Paraguai também estão obrigados a reportar os dados ao governo.

Os residentes afetados deverão solicitar a inclusão da obrigação “959-DJI Criptoactivos” em seu Registro Único do Contribuinte (RUC). A declaração juramentada informativa deverá ser enviada anualmente pelo Sistema de Gestão Tributária “Marangatu”, até o terceiro mês após o encerramento do ano fiscal.

A exigência já começa a valer para o ano fiscal de 2026.

Fim do anonimato: governo quer hashes, taxas e endereços

O nível de detalhamento exigido pela receita paraguaia chama a atenção e se assemelha aos relatórios mais rígidos do mundo.

A DNIT não quer saber apenas o saldo final, mas sim o rastreio completo de tudo o que acontece na blockchain.

Segundo o artigo 5º da resolução, o contribuinte deverá informar operações como compra, venda, posse, transferências, doações, pagamentos em criptomoedas por bens e serviços, e até mesmo a criação de criptomoedas ou a obtenção de recompensas via mineração, staking e lending. O escopo abrange tokens, stablecoins e até NFTs.

Para cada uma dessas operações, o morador do Paraguai será obrigado a repassar ao fisco dados extremamente granulares:

  • Data e hora exatas da operação.
  • Identificação da criptomoeda, símbolo e a rede/blockchain utilizada.
  • Quantidade negociada expressa com precisão de até dez casas decimais.
  • O identificador único da transação na rede (hash), além dos endereços públicos (wallets) de origem e destino.
  • Valor bruto em dólares americanos, bem como as taxas de transação ou de rede (gas fees) também convertidas para dólares.

Multas e fiscalização

A tentativa de esconder o patrimônio ou atrasar a entrega das informações custará caro.

A resolução define que a apresentação fora do prazo de vencimento da Declaração Jurada Informativa de Criptoativos resultará em uma multa direta de um milhão de guaraníes (aproximadamente R$ 680 na cotação atual), sem prejuízo de outras sanções administrativas e fiscais mais severas.

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Bruno Costa

Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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