Grupo da Coreia do Sul queria “importar” modelo de negócio da Unick Forex

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A fama da Unick Forex, empresa gaúcha investigada por crimes contra o sistema financeiro nacional, atravessou oceanos e continentes e chegou à Coreia do Sul.

Em junho do ano passado, um grupo coreano com cerca de 120 mil bitcoins estava interessado em levar o modelo do negócio da suposta pirâmide financeira para o país asiático.

A informação foi revelada em um relatório da PF (Polícia Federal) presente na investigação que levou à queda da Unick Forex. O Livecoins teve acesso ao material.

Parceria com Coreia foi intermediada por laranja de Leidimar Lopes

De acordo com uma interceptação telefônica da PF, em junho de 2019 o empresário Ronaldo Luis Sembranelli recebeu uma ligação de uma pessoa identificada como Toninho.

Sembranelli, segundo a PF, atuava como laranja do presidente da Unick Forex, Leidimar Lopes. Segundo o Portal do Bitcoin, ele fez fortuna fazendo operações para Lopes.

Na conversa, o tal do Toninho falou para Ronaldo Sembranelli que estava em contato com um grupo da Coreia do Sul interessado na empresa gaúcha.

“Na realidade eles (grupo) tem uma legislação especial na CORÉIA DO SUL e querem botar um projeto parecido com a UNICK lá”, disse para o laranja de Leidimar.

O país asiático, que fica a 17,5 mil quilômetros do Brasil, aprovou no mês passado uma lei que regula o mercado de criptomoedas. A nova legislação apresentou diretrizes para proteção contra lavagem de dinheiro e regras tributárias.

Coreano estava “rondando” empresa faz tempo, disse Toninho

De acordo com a conversa, o representante do grupo coreano que trataria da parceria com a Unick vivia em Curitiba (PR). O nome dele não será citado nesta reportagem, pois aparentemente ele não faz parte da investigação da PF.

Esse intermediador, além de estar interessado no modelo de negócios da Unick Forex, também queria apresentar para o presidente Leidimar Lopes uma nova estrutura de pagamento.

“Ele (coreano) faz horas que tá rondando. Ele queria uma reunião com o LEIDIMAR porque ele tem outro pessoal lá que tem uma estrutura que o LEIDIMAR precisa”, disse Toninho.

Na investigação, não há outras informações sobre a possível parceria entre o grupo coreano e a Unick Forex. Portanto, não é possível afirmar se algum projeto parecido foi de fato implantado no país asiático.

Veja trechos do diálogo entre Ronaldo e Toninho:

RONALDO: Seu Toninho

TONINHO: Oi. RONALDO! Eu tô com um pessoal aí tá, da COREIA

RONALDO: Hum..

TONINHO: E tá com 120 mil bitcoins e tá procurando um trader pra fazer uma parceria.

RONALDO: Tá.

TONINHO: Na realidade eles querem, eles tem uma legislação especial lá na CORÉIA DO SUL e querem botar um projeto parecido com a UNICK lá na CORÉIA.

RONALDO: Tá, vou tá com o patrão aqui de tarde. Posso te ligar? Posso te ligar?

TONINHO: Não, ai tu não vai me ligar. Ai se tu vai tá com ele. Eu vou te dar o número direto da pessoa que pode explicar o projeto.

RONALDO: Tem que vir aqui falar comigo primeiro.

TONINHO: Entendeu.

RONALDO: Vem tu e ela vir falar comigo, por favor!

TONINHO: Não, ele é de Curitiba, tá em Curitiba.

RONALDO: Tá, dá o telefone que falo com ele.

TONINHO: Vou te passar o telefone agora.

TONINHO: Ele quer, esse cara faz horas que ele tá rondando, ele queria uma reunião com o LEIDIMAR porque ele tem outro pessoal lá que tem uma estrutura que o LEIDIMAR precisa.

RONALDO: Tá.

TONINHO: Estrutura de pagamento, estrutura mas foi difícil aproximar por esse motivo entendeu?

RONALDO: Manda o telefone por WhatsApp aí .

TONINHO: Mas essa questão dos coreano ai, cara. Os coreano tiveram aqui, entendeu. Os coreano confiam nessa pessoa que eu vou te passar ai. E eles tão procurando essa parceria

RONALDO: Tá bom. Beijão, deixa comigo. Falou.

Veja outras reportagens sobre a Unick na nossa série especial #UnickLeaks

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Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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