IA da Receita Federal do Brasil rastreia corretoras de criptomoedas e vira modelo no exterior

Órgão brasileiro foi a única autoridade tributária em cúpula internacional no México

A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) assumiu um protagonismo inédito no combate global aos crimes cibernéticos e financeiros.

Na última semana, o órgão foi a única administração tributária a participar da Conferência Regional do GAFILAT sobre Ativos Virtuais e Lavagem de Dinheiro, realizada na Cidade do México.

O evento de alto nível reuniu cerca de 120 autoridades de 18 países da América Latina e do Caribe, incluindo unidades de inteligência financeira, promotores e juízes.

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A apresentação brasileira serviu para mostrar à comunidade internacional o poder e o papel central do fisco na repressão à lavagem de dinheiro via criptomoedas.

O “Projeto Analytics” e o rastreio de criptomoedas pela Receita Federal do Brasil

O grande destaque do Brasil na cúpula, que contou com o apoio da União Europeia e do GAFI, foi o uso agressivo de tecnologia de ponta. O auditor-fiscal Pedro Augusto Frantz, chefe do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Receita, apresentou os resultados do chamado “Projeto Analytics“.

A plataforma brasileira processa mais de 500 milhões de transações por ano utilizando análise de redes complexas.

Durante a conferência, Frantz chamou atenção da plateia ao revelar casos práticos de como o fisco cruza dados fiscais tradicionais com informações extraídas diretamente da blockchain para identificar os verdadeiros donos do dinheiro.

O sistema de Inteligência Artificial brasileiro já atua no rastreamento profundo de esquemas Ponzi, mapeia corretoras de criptomoedas que tentam operar sem registro no país e desmascara intrincadas redes societárias ocultas no exterior.

Representantes da Binance e Bitso também estavam presentes

A supervisão do mercado também pautou os debates com a iniciativa privada. O representante da Receita Federal dividiu uma mesa-redonda direta com executivos de gigantes globais do setor, como a Binance e a Bitso, além de especialistas internacionais em conformidade.

O grupo discutiu o aprimoramento das leis antilavagem e a implementação iminente do CARF (Crypto-Asset Reporting Framework).

Esse novo marco regulatório da OCDE exige o intercâmbio automático de dados de criptoativos entre as nações, com o objetivo claro de identificar quem é o beneficiário final real por trás de carteiras digitais aparentemente anônimas e estruturas de offshores.

RFB no México apresenta IA que rastreia criptomoedas
RFB no México apresenta IA que rastreia criptomoedas (Foto/Divulgação).

Brasil dita regras e muda diretrizes do GAFILAT

A vanguarda tecnológica da autarquia brasileira chamou tanta atenção que a recente Portaria RFB nº 647, publicada em fevereiro de 2026, foi apresentada como referência mundial. A lei estabelece o marco de governança de Inteligência Artificial da Receita Federal, sendo considerada um dos primeiros frameworks específicos para tributação no planeta.

O impacto das táticas brasileiras foi imediato no ecossistema de segurança. Ao final do encontro no México, a direção do GAFILAT manifestou a intenção de defender formalmente a inclusão de administrações tributárias como membros da organização.

A decisão é um reconhecimento direto do potencial da ferramenta brasileira. O órgão entende agora que a cooperação estreita entre autoridades fiscais e as forças policiais de inteligência é a nova arma definitiva para asfixiar o crime financeiro transnacional.

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Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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