Líder da Base no Brasil diz que agentes de IA podem causar impacto significativo nas criptomoedas no futuro

Líder de layer 2 da Coinbase no Brasil comentou sobre as inovações em transações com criptomoedas

O Livecoins entrevistou Guilherme Bettanin, atual líder da Base no Brasil, para conversar sobre o consumo digital em uma era em que crescem os agentes de IA transacionando valores em criptomoedas.

De acordo com o especialista na rede Base (Layer 2 da Coinbase), as previsões de um impacto profundo no mercado cripto podem indicar um novo padrão de consumo com transações automáticas com inteligência artificial.

1. A Base e a Cloudflare desenvolveram o padrão x402 para permitir que agentes de IA paguem por APIs e dados de forma autônoma. Para o desenvolvedor comum ou a empresa de tecnologia, o que muda na prática ao permitir que a inteligência artificial ganhe uma carteira de criptoativos e execute pagamentos por conta própria?

Bettanin: O x402 representa a transição de uma internet programável para uma internet economicamente programável. À medida que agentes de IA se tornam grandes consumidores de serviços digitais, a fricção criada pelos sistemas de pagamento centrados em humanos se tornará insustentável.

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Da mesma forma que o HTTP padronizou a transferência de informações, o x402 padroniza a transferência de valor, potencialmente possibilitando uma nova geração de modelos de negócios.

Acreditamos que o impacto pode ser bastante significativo. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou recentemente que prevê que “muito em breve haverá mais agentes de IA do que humanos realizando transações”. O x402 viabiliza esse futuro.

2. Com a previsão de que as transações impulsionadas por IA movimentem trilhões até 2030, a rede precisa suportar um fluxo massivo de microtransações 24 horas por dia. Como a arquitetura da rede Base garante que a escalabilidade seja mantida e as taxas continuem próximas a zero em cenários de extremo congestionamento?

Bettanin: Como uma rede Layer 2, a Base permite que transações sejam processadas fora da blockchain principal da Ethereum, reduzindo significativamente a carga de trabalho da rede. Isso é feito ao agrupar múltiplas transações em uma única transação, que posteriormente é registrada na blockchain principal.

Como resultado, a Ethereum pode processar indiretamente um número muito maior de transações por segundo, ao mesmo tempo em que reduz taxas e tempos de espera.

Isso cria uma experiência muito mais fluida para os usuários, especialmente durante períodos de alta demanda. Também estamos constantemente buscando aprimorar a tecnologia da Base. Por exemplo, em outubro de 2025, anunciamos que dobraríamos o limite de gás da Base Chain.

3. Com a transição dos assistentes digitais para “atores econômicos independentes”, quais novos modelos de negócios vocês esperam ver surgir no Brasil e no mundo? O que uma IA com capacidade financeira pode fazer hoje que era impossível há dois anos?

Bettanin: O futuro aponta para marketplaces abertos de APIs e para o comércio entre agentes, em que agentes autônomos se tornam os principais consumidores de serviços na internet. Isso exige um redesenho fundamental da forma como o valor é criado, capturado e entregue.

As empresas que se adaptarem rapidamente não apenas atenderão às expectativas em evolução dos consumidores, como também poderão redefinir setores inteiros. As que hesitarem correm o risco de perder relevância à medida que agentes de IA se tornem os novos gatekeepers do comércio.

Há apenas dois anos, a maioria dos sistemas de IA se limitava a gerar insights ou recomendações. Eles não conseguiam participar de forma independente da atividade econômica.

Hoje, agentes de IA com capacidades financeiras podem descobrir serviços de forma autônoma, negociar preços, pagar por dados, acessar recursos computacionais, gerenciar operações de tesouraria e executar transações em tempo real.

4. O Brasil tem um ecossistema de desenvolvedores muito forte. Como a rede Base está se posicionando para atrair esses construtores locais e facilitar a criação de aplicativos que unam inteligência artificial e criptomoedas voltados para as demandas do nosso mercado interno?

Bettanin: O lançamento do nosso primeiro hub, Base Node, em Florianópolis, reflete exatamente essa estratégia. O espaço foi criado para apoiar builders, fundadores e colaboradores independentes, ao mesmo tempo em que fortalece as conexões da comunidade blockchain no Brasil e em toda a América Latina.

Hoje, mais de 50 startups brasileiras já estão construindo na Base. Nosso objetivo é apoiar a próxima geração de líderes de projetos enquanto desenvolvem soluções reais para trading, stablecoins e a nova economia onchain.

Um exemplo é a Felix, um agente de IA que, em apenas 60 dias, gerou aproximadamente US$ 130 mil como empreendedor digital, operando um marketplace enquanto gerenciava uma tesouraria em cripto.

5. A infraestrutura onchain promete eliminar intermediários, mas a rede Base atualmente opera com um único sequenciador controlado de forma centralizada pela própria Coinbase. Se as máquinas e agentes de IA do futuro vão depender dessa infraestrutura para transacionar trilhões de dólares de forma “autônoma”, como justificar que essa rede não seja apenas um banco de dados corporativo gigante, suscetível a interrupções ou controle direto de uma única empresa de capital aberto?

Bettanin: O ponto principal é que uma governança neutra cria incentivos para colaboração onde, de outra forma, haveria fragmentação. O roadmap da Base inclui o compromisso com uma descentralização progressiva.

A missão da Base é construir uma economia global onchain, e acreditamos que isso só é possível em uma plataforma descentralizada. Em abril de 2025, anunciamos que havíamos alcançado o estágio 1 de descentralização, um nível que muitas outras L2s ainda não atingiram.

De forma mais ampla, acreditamos que a colaboração gera significativamente mais valor do que o isolamento. E transformar em realidade nossa visão ambiciosa de trazer o próximo bilhão de usuários para o universo onchain exigirá o apoio, a participação e a colaboração de todo o ecossistema.

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Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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