A Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT), em uma ação conjunta com as corporações da Bahia (PCBA) e do Rio Grande do Sul (PCRS), deflagrou a Operação “Bad Fish”.
O objetivo da força-tarefa é reprimir e desarticular um grupo criminoso especializado em furtos qualificados por meio de fraudes eletrônicas.
O alvo dos hackers foi uma empresa do ramo de peças automotivas localizada na cidade de Cuiabá.
De acordo com as investigações, os criminosos conseguiram invadir os dispositivos eletrônicos da loja e causar um prejuízo financeiro direto de aproximadamente R$ 34 mil à vítima.
A isca do ‘phishing’ e a invasão bancária
A operação policial foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI). Os agentes de segurança descobriram que a quadrilha utilizava uma técnica cibernética conhecida como “phishing” para enganar os alvos e roubar dados sensíveis.
Esse golpe virtual consiste no envio massivo de mensagens falsas por e-mail, SMS, links patrocinados ou redes sociais.
Os criminosos se passam por fontes confiáveis, como bancos, operadoras de telefonia ou grandes empresas de tecnologia (big techs), para “pescar” senhas e credenciais de acesso das vítimas.
No caso da empresa de Cuiabá, o grupo conseguiu capturar as credenciais bancárias verdadeiras da loja automotiva.
Com essas informações restritas em mãos, os hackers acessaram o sistema de internet banking e realizaram diversas transferências de valores diretamente para contas pessoais controladas pelos membros da quadrilha.
Lavagem de dinheiro com criptomoedas e prisões
Para dificultar o rastreio do dinheiro roubado pelas autoridades, os criminosos recorreram ao mercado descentralizado de ativos digitais. A investigação apurou que parte dos valores subtraídos da empresa foi rapidamente convertida em criptomoedas.
Essa tática de conversão visa ocultar o patrimônio obtido de forma ilícita, o que caracteriza o crime de lavagem de dinheiro no ordenamento jurídico brasileiro.
Durante a ofensiva policial, deflagrada na última quinta-feira (12), foram cumpridas oito ordens judiciais expedidas pelo Juiz das Garantias da Comarca de Cuiabá.
A ação resultou em três mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão nas cidades de Vitória da Conquista (BA) e Portão (RS).
A justiça também determinou a quebra do sigilo de dados telemáticos e o bloqueio imediato de valores depositados nas contas bancárias dos suspeitos.
Com o avanço do inquérito, os alvos da operação serão indiciados pelos crimes de invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
