
Navios petroleiros. Imagem: Midjourney.
Nick Szabo, criador do bit gold, acredita que pessoas morando no Oriente Médio deveriam comprar Bitcoin ou Monero caso fossem prudentes. Seus comentários envolvem o conflito no Irã e suas consequências.
Apontado como Satoshi Nakamoto por Elon Musk e outros membros da comunidade, Nick Szabo voltou às redes sociais no ano passado para se posicionar sobre a polêmica atualização do Bitcoin Core.
Desde então, o cypherpunk tem feito diversos tuítes sobre temas variados. Como exemplo, no início do mês, Szabo diminuiu a importância da ameaça da Inteligência Artificial para o Bitcoin.
Um recente relatório da Binance Research destaca que a guerra no Irã pode trazer consequências rápidas para o Bitcoin. Um dos pontos mencionados é o fechamento quase total do Estreito de Ormuz, onde trafega cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente.
Donald Trump, presidente dos EUA, pediu ajuda a países aliados para liberar a região, mas foi ignorado.
Com uma menor oferta de petróleo, a tendência é que o preço dos combustíveis dispare e, por consequência, de todos os outros produtos que precisam ser transportados, incluindo alimentos.
Nas redes sociais, um usuário publicou um mapa apontando que navios petroleiros de aliados do Irã, como a China, continuam trafegando livremente pelo Estreito.
“Os iranianos passaram décadas se entrincheirando para este “Grande Evento”. O código xiita de martírio da IRGC iraniana é tão forte quanto o código japonês do Bushido na Segunda Guerra Mundial. Eles não vão se render, na minha opinião”, escreveu Matt Bracken.
Em resposta, Nick Szabo, criador do bit gold, disse que “não faz muita diferença se o Irã perder essas ilhas”.
“Eles ainda terão poder de veto sobre o transporte comercial em Ormuz. Esse controle não vem das ilhas, mas de centenas de milhares de quilômetros quadrados onde é possível esconder cavernas e túneis cheios de drones e mísseis, feitos com um suprimento praticamente infinito de peças fornecidas pela China.”
Na sequência, o cypherpunk afirma que a China provavelmente antecipou esses ataques caso Trump fosse eleito, motivo pelo qual o país está vendendo títulos do Tesouro americano e acumulando ouro.
“Os mercados já haviam precificado grande parte do fiasco com antecedência”, pontua Szabo.
“Quanto ao Bitcoin, o governo chinês o odeia por razões ideológicas. Uma grande parte do que os governos fazem está longe de ser racional, basta ver o que os EUA estão fazendo no Golfo Pérsico atualmente.”
Acompanhando a discussão, um terceiro usuário afirma que o preço do Bitcoin deve cair abaixo dos US$ 60.000 assim que os mercados perceberem o tamanho desse conflito.
Em resposta, Nick Szabo apresenta uma opinião contrária, recomendando a compra de Bitcoin ou Monero.
“Há muitas pessoas no Oriente Médio agora que, se fossem prudentes, estariam convertendo muitos de seus ativos mantidos com terceiros de confiança em Bitcoin ou Monero.”
No momento desta redação, o Bitcoin é negociado na faixa dos US$ 71.900, caindo 3,7% nas últimas 24 horas.
Além da guerra, a principal atenção do mercado está voltada para dados de inflação, como os publicados nesta quarta-feira (18).
O momento é mais um teste para a criptomoeda, que já sobreviveu à guerra russo-ucraniana, ao enfraquecimento do carry-trade de iene, dentre outros eventos macroeconômicos.
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