Nick Szabo, cypherpunk pioneiro do bitcoin, publicou um artigo analítico sobre a origem das trocas financeiras na terça-feira (5), em um texto que explora a forte ligação entre os itens de valor do passado remoto e a adoção do bitcoin no presente.
Szabo idealizou o conceito de contratos inteligentes e criou o projeto Bit Gold muito antes do surgimento das criptomoedas. O especialista descreve a formação do dinheiro muitos milênios antes da existência de qualquer mercado formal livre.
O autor defende a tese de objetos raros e duráveis como soluções reais para os desafios logísticos da humanidade. Antigos povos utilizavam bens de escassez comprovada para lidar com mortes ou compensações por crimes.
Escassez de conchas marinhas inspirou a reserva de valor das criptomoedas
Tais artefatos ajudavam a conectar os desejos e as necessidades das pessoas através das barreiras do tempo. O ensaio ilustra esta teoria por meio de um embate antigo entre dois homens chamados Wek’oy e Pey-nohl.
A disputa por uma canoa quase resultou em um conflito armado severo entre grupos rivais nas margens do rio. Membros das tribos evitaram o derramamento de sangue com o pagamento voluntário de conchas do tipo dentalium.
Estes itens funcionavam como um dinheiro primitivo em razão da extrema durabilidade material e da escassez visual comprovada. Desta forma o artigo retrata a ampla capacidade dos bens de valor para selar acordos entre grupos rivais.
Indivíduos confiavam naqueles itens para guardar o poder de compra e transferir riquezas ao longo de várias gerações. O economista Carl Menger recebe uma menção direta nas linhas analíticas elaboradas pelo precursor do bitcoin.
Itens colecionáveis pavimentaram o caminho para a arquitetura do bitcoin
Menger defendia o surgimento orgânico do dinheiro a partir das extremas dificuldades presentes no arcaico sistema de escambo comercial. Szabo expande as visões acadêmicas do colega de profissão com uma outra perspectiva focada na reserva de valor.
O pesquisador garante a presença hegemônica dos itens colecionáveis muitos milênios antes da formação das feiras comerciais. Eventos da vida diária como casamentos arranjados exigiam formas muito seguras de transferir o capital acumulado pelo clã.
Povos sem o domínio da metalurgia adotaram as conchas marítimas para sanar estas exigências com ampla eficácia. Tais objetos não dependiam de decretos forçados de líderes para ostentar um alto preço nas negociações de rotina.
A raridade física dos bens convencia as comunidades inteiras a enxergar as peças como escudos para a proteção patrimonial. O bitcoin, segundo Szabo, adota lógicas idênticas de escassez no mundo tecnológico da nossa era atual.
“Os argumentos mais importantes em defesa do Bitcoin hoje provavelmente têm mais de cem milênios“, concluiu o lendário escritor.

