O boletim norte-americano de análise financeira The Kobeissi Letter, fundado por Adam Kobeissi, divulgou nesta terça-feira (27) que o tombo de 19,82% do principal fundo de ações brasileiras no exterior Ishares Msci Brazil ETF (NYSEARCA: EWZ) representou um dos eventos mais raros das últimas duas décadas.
De acordo com o levantamento estatístico divulgado no X (ex-Twitter), a queda registrada na segunda-feira (26) atingiu a marca de 8,43 desvios-padrão em relação à média histórica do ativo, ou seja, um evento de Cisne Negro na estatística.
Ao longo dos últimos vinte anos, a variação diária média desse fundo negociado em bolsa nos Estados Unidos ficou em apenas 0,04% positivo, com um desvio-padrão de 2,36%. Sob uma curva de distribuição normal, a probabilidade matemática de ocorrer um recuo da magnitude observada na segunda-feira equivale a cerca de uma chance em 58 quadrilhões.
Para efeitos de comparação, ganhar na loteria Mega-Sena no Brasil equivale a uma chance em 50 milhões, ou seja, o que se confirmou no mercado após as eleições é um evento raríssimo.
“Sob uma distribuição normal, a probabilidade de um declínio tão extremo é de cerca de 1 em 58 quadrilhões. Em outras palavras, este evento deveria ser impossível sob modelos estatísticos convencionais.” — The Kobeissi Letter, boletim de análise do mercado financeiro.
BREAKING: Brazil’s -19.8% stock market crash on Monday was one of the rarest market events in the last two decades, according to our analysis. Brazil’s EWZ ETF plunged -19.8% on October 26th, marking an 8.4 standard deviation move. For context, the ETF’s average daily move over the last 20 years has been just +0.04%, with a standard deviation of 2.36%. Under a normal distribution, the probability of a decline this extreme is approximately 1 in 58 quadrillion. In other words, this event should be virtually impossible under conventional statistical models. What just happened in Brazil was *almost* impossible.
— The Kobeissi Letter (@KobeissiLetter) October 27, 2026
Virada nas urnas após primeiro turno surpreendeu mercados globais
Antes da votação decisiva de domingo (25), o cenário traçado pelos investidores na primeira etapa do pleito apontava para uma direção oposta. No primeiro turno realizado em 4 de outubro, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou na segunda colocação com 45,16%.
Aquele desempenho inicial representou a primeira derrota de Lula em um primeiro turno desde 1998 e impulsionou uma alta de 15% na bolsa brasileira após o dia 4 de outubro. Como nenhum dos concorrentes alcançou a maioria absoluta na ocasião, a disputa seguiu para o segundo turno no dia 25 de outubro.
Nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a contagem final inverteu a vantagem anterior e confirmou a reeleição do petista frente ao senador do Partido Liberal. A reação imediata na abertura do pregão de segunda-feira (26) provocou perdas generalizadas nos ativos locais e nos papéis negociados em dólar.
Bolsa perde US$ 200 bilhões e aciona primeiro circuit breaker desde 2020
Durante a sessão de segunda-feira (26), as ações brasileiras chegaram a derreter mais de 30% em dólares e apagaram mais de US$ 200 bilhões em valor de mercado. O forte volume de ordens de venda acionou o mecanismo de trava de negociações (circuit breaker) na bolsa brasileira pela primeira vez desde o início da pandemia em 2020.
No mercado de câmbio, o real chegou a recuar cerca de 10% frente ao dólar norte-americano na reação inicial dos operadores internacionais. Segundo o histórico compilado pelo perfil norte-americano, essa desvalorização cambial figurou como a maior queda diária da moeda brasileira desde a criação do Plano Real em 1994.
Os títulos da dívida pública do governo brasileiro denominados em dólares também sofreram uma onda intensa de vendas no exterior. Apesar do pânico generalizado nos preços à vista, um indicador técnico específico chamou a atenção dos estrategistas em Wall Street.
“Apesar de uma queda de 30% nas ações, a volatilidade está menor do que o valor precificado antes do resultado da eleição. Este é um dos maiores esmagamentos de volatilidade da história a ocorrer ao lado de um declínio superior a 20% no mercado subjacente.” — The Kobeissi Letter, boletim de análise do mercado financeiro.