Carros de luxo são apreendidos em operação contra fraude com criptomoedas em Manaus

No decorrer da investigação, os policiais descobriram que eles lavavam dinheiro com lojas de veículos importados e simulavam as compras dos carros de luxo.

Na manhã deste sábado, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou a Operação Blockchain Fake para cumprir mandados de busca e apreensão e desarticular uma organização criminosa que atua com esquemas financeiros envolvendo criptomoedas.

De acordo com informações da PC-AM, o prejuízo causado pelo grupo está avaliado em aproximadamente R$ 100 milhões. A ação ocorreu em zonas distintas da capital amazonense.

Ao longo da sexta-feira (26/11), a operação também foi deflagrada nas capitais Brasília e São Paulo, ocasião em que dois veículos de luxo foram apreendidos, sendo uma Ferrari Spider e uma McLaren, avaliadas em R$ 5 milhões.

De acordo com a polícia, os criminosos se apresentavam como investidores de Bitcoin, prometendo lucro de 10% ao mês para quem investisse no negócio. Após receber dinheiro das vítimas, o grupo pagava os rendimentos prometidos por até 3 meses, mas depois desaparecia com a quantia investida.

Blockchain Fake

Durante coletiva de imprensa, o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Tarson Yuri Soares, destacou o trabalho realizado pelas equipes policiais, que cumpriram oito mandados de busca e apreensão em zonas distintas de Manaus, e apreenderam diversos objetos da organização criminosa.

“O trabalho da Polícia Civil é esse, de atuar no combate a esses criminosos e levar mais segurança e proteção para a nossa população amazonense”, enfatizou o delegado-geral adjunto.

COLETIVA OP DERFD - FOTO ERLON RODRIGUES - PC-AM (2)
COLETIVA OP DERFD – FOTO ERLON RODRIGUES – PC-AM (2)

O delegado Denis Pinho, titular da DERFD, que coordenou a ação, relatou que as investigações em torno do grupo criminoso iniciaram há cerca de cinco meses.

De acordo com o delegado, o grupo lavava dinheiro através de uma loja de veículos importados, o grupo simulava a compra de veículos de luxo dessa empresa.

“O que nos estranhou foi o grande volume de veículos comprados nessas lojas, veículos de marcas caras, como McLaren, Ferrari e Land Rover, que têm valor expressivo de mercado. A gente passou a perceber que eles tinham o hábito de usar dessa manobra. Nenhum desses veículos era colocado no nome dos suspeitos. Eles usavam o CNPJ da empresa”, disse Pinho.

Criptomoedas

No decorrer da investigação, os policiais descobriram que eles lavavam dinheiro com lojas de veículos importados e simulavam as compras dos carros de luxo.

“Percebemos que eles utilizavam essa manobra, mas nenhum desses automóveis eram colocados no nome deles. Foi uma investigação complexa, pois trata-se de uma matéria nova, em que eles se passavam por investidores de criptomoedas, inclusive utilizando uma rede segura com criptografia para transitar os dados. Os criminosos pegavam o dinheiro das vítimas com a promessa de que o valor cresceria cerca de 10% ao mês, porém, as deixavam no prejuízo”, detalhou o delegado.

“Eles se passavam como investidores de criptomoeda. Eles usavam exchanges para pegar dinheiro das vítimas – tem gente que investiu R$ 5 milhões – com a promessa de que iria lucrar 10% ao mês”, disse Pinho.

Apreensão em Manaus – Foram apreendidos cinco veículos de luxo, avaliados em R$ 6 milhões. Também foram apreendidos notebooks, pendrives, computadores, documentos diversos, caderneta de anotações e dinheiro em dólar e euro.

Mini Cooper John Cooper Works GP foi apreendido (Foto: Polícia Civil do Amazonas/Divulgação)
Mini Cooper John Cooper Works GP foi apreendido (Foto: Polícia Civil do Amazonas/Divulgação)

Carros de luxo

Um McLaren avaliado em R$ 2 milhões foi apreendido em Brasília e uma Ferrari Spider de R$ 3 milhões em São Paulo. Os policiais apreenderam outros três carros de luxo avaliados em R$ 1 milhão (Mini Cooper JCW GP, BMW 5 e Troller) na casa do dono da loja.

De acordo ainda com o delegado, algumas vítimas chegaram a vender imóveis para investir na pirâmide. “Eles vendiam um lucro exacerbado que não existia. Com isso, eles acabaram criando uma rede grande de vítimas e deixando várias pessoas em prejuízo. Pessoas chegaram a vender casa e apartamentos para jogar na mão desses criminosos”, disse o delegado.

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