A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), estatal responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia no Paraguai, revelou na sexta-feira (19) a prisão de dois homens envolvidos com furto de energia elétrica para alimentar uma fazenda ilegal de mineração de criptomoedas.
A dupla foi condenada a dois anos de prisão, mas não precisará cumprir a pena, desde que eles cumpram as condições ditadas pelo júri e não voltem a cometer crimes.
Embora o preço da energia elétrica seja barato no Paraguai, o caso mostra que nem mesmo isso impede que alguns mineradores tentem aumentar os seus lucros ilegalmente.
ANDE afirma que julgamento é um forte precedente no combate contra furto de energia
Dados do Hashrate Index estimam que o Paraguai é responsável por cerca de 4% da mineração mundial de Bitcoin, ficando atrás somente de países como EUA, Rússia e China.

No entanto, as autoridades paraguaias ocasionalmente encontram operações ilegais ligadas ao furto de energia. Em um dos casos, até mesmo uma igreja estava abrigando uma fazenda de mineração.
Na última sexta-feira (19), a ANDE conseguiu levar duas pessoas à condenação.
Cristian Daniel Jara Villalba e Ramón Martínez Morínigo foram considerados autor e coautor de um esquema para alimentar ilegamente uma mineradora em Minga Guazú, cidade próxima da fronteira com o Brasil.
“Essa decisão judicial representa um precedente contundente, ao estabelecer que serão alcançados pela Justiça não apenas aqueles que realizem ligações ilegais, mas também quem facilite, permita ou se beneficie de ações que afetem o sistema elétrico nacional.”

Mineradora gerava um prejuízo de R$ 230 mil por mês aos cofres públicos
Segundo a mídia local, o esquema de mineração ilegal foi desmantelado ainda em 2024. Na data, cerca de 476 máquinas foram apreendidas no local, bem como um transformador e centenas de metros de cabos.
Citando análises técnicas feitas pela ANDE, o jornal ABC aponta que a mineradora gerava um prejuízo mensal de 270 milhões de guaranis (R$ 230 mil) ao governo com o furto de energia.
No Brasil, as autoridades também lutam contra essa mesma prática. Como exemplo, 1.400 máquinas foram apreendidas em maio pelo DEIC e, mais recentemente, a Polícia Civil do RJ desarticulou outra fazenda ilegal com cerca de 30 máquinas.
