A Polícia Federal (PF) apreendeu dois dispositivos físicos de carteira de criptomoedas durante a Operação Magen contra o crime organizado no Rio de Janeiro. A ação policial ocorreu em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) na quarta-feira (7).
Os agentes cumpriram mandados judiciais contra uma quadrilha acusada de lavagem de dinheiro, usura e comércio ilegal de armas de fogo. O esquema criminoso movimentou mais de R$ 100 milhões ao longo de quatro anos em contas bancárias diversas.
“A ação cumpre 7 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão domiciliar em bairros da cidade do Rio de Janeiro, além dos municípios de Nova Iguaçu/RJ, Angra dos Reis/RJ, Mesquita/RJ, Nilópolis/RJ e Seropédica/RJ. Serão cumpridas, ainda, medidas cautelares diversas da prisão contra investigados vinculados à estrutura patrimonial e financeira do grupo, cumuladas com monitoramento eletrônico“, disse a PF em nota.
A operação teve como alvo principal um grupo integrado por policiais e ex-policiais militares na Zona Norte fluminense. Assim, equipes policiais apreenderam as carteiras físicas de criptomoedas junto com armamentos pesados, veículos e dinheiro em espécie.
Apreensão de carteiras não revela quantia apreendida em criptomoedas
O confisco dos dispositivos eletrônicos de autocustódia mostra a tentativa dos criminosos de ocultar patrimônio financeiro fora dos bancos tradicionais.
Desta forma, os peritos federais agora buscam acessar o conteúdo dos equipamentos para rastrear eventuais transferências e saldos retidos. Até o fechamento desta reportagem, contudo, não está claro se a PF recuperou algum valor, visto que precisam das chaves de acesso para confiscar os valores.
Além disso, os agentes recolheram notebooks, tablets e dezenas de aparelhos celulares para perícia técnica aprofundada. Os investigadores pretendem cruzar os registros digitais com os fluxos monetários identificados nas empresas de fachada.
Números divulgados pela corporação confirmaram a prisão de cinco alvos com mandados de prisão preventiva. Outros dois investigados permanecem foragidos da Justiça com buscas ativas por todo o território fluminense.
Durante as buscas nos imóveis, as equipes confiscaram sete veículos, quatro relógios de luxo e um lote com joias. Os agentes recolheram ainda R$ 73,7 mil em Real brasileiro, além de quantias em libras e euros.
Esquema milionário negociava fuzis e desviava dados da segurança pública
As apurações apontam uma rotina clandestina voltada para a obtenção, o transporte e a revenda de material bélico. Além disso, o grupo fornecia fuzis de uso restrito, pistolas, granadas e munições para facções criminosas locais.
Integrantes da quadrilha recebiam armamentos como comissão direta pela intermediação dos negócios na capital do Rio de Janeiro. O Ministério Público denunciou os suspeitos por organização criminosa armada e violação de sigilo profissional.
Servidores da segurança pública utilizavam acessos funcionais a sistemas restritos para repassar alertas aos comparsas, uma facilidade que garantia a fuga de membros do bando antes de fiscalizações rotineiras da polícia.
A Justiça determinou medidas cautelares alternativas com monitoramento eletrônico para investigados ligados à parte contábil da rede. Por fim, o bloqueio também atinge patrimônios registrados em nome de terceiros para estancar as fraudes financeiras.