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Justiça condena grupo que dava golpe no Mercado Livre e lavava dinheiro com Bitcoin

Um homem era responsável por interceptar boletos, que eram adulterados e pagos por vítimas, causando um prejuízo milionário.

Uma quadrilha que operava até Bitcoin no Mercado Livre acabou sendo condenada em uma decisão no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF).

O Ministério Público do Distrito Federal moveu uma ação penal contra 13 pessoas que eram acusadas de operar um esquema nas cidades de Brasília, Goiânia e Anápolis, atuando com um sofisticado esquema de fraudes no Mercado Livre.

O golpe, segundo as investigações, começou em 2016 e durou até 2018, causando um prejuízo milionário às vítimas.

Com um hacker na equipe, os criminosos interceptavam boletos gerados em compras no Mercado Livre e alteravam as informações fazendo o documento parecer legítimo. Após isso, encaminhavam os novos documentos para os compradores.

Ao pagar os boletos bancários, as vítimas acreditavam estar pagando pelo produto adquirido na popular plataforma, contudo, o valor era desviado para contas bancárias em posse da quadrilha.

A polícia ajudou nas investigações e acredita que o Bitcoin era utilizado como lavagem de dinheiro pelo grupo.

Nove pessoas foram condenadas

A sentença foi divulgada pelo TJDF nesta terça-feira (20), revelando que 13 réus foram citados na ação, mas quatro acabaram absolvidos de todas as acusações.

Os demais eram acusados de cometer vários crimes, como contra o Patrimônio, Estelionato, contra a Paz Pública, Quadrilha ou Bando e Crimes de “Lavagem” ou Ocultação de Bens.

As penas variam de 17 a 53 anos em regime fechado contra os 9 apontados como criminosos, que também pagarão multa. O de menor pena é um que fez delação premiada e contribuiu com as investigações, tendo assim sua pena diminuída em 2/3.

Eles perderão ainda bens e patrimônios adquiridos com suas atividades criminosas, quando operavam principalmente pelo Mercado Livre. O juiz André Ferreira de Brito ainda condenou os réus a pagar as custas e despesas processuais, mas ainda não fixou indenização para eles.

Nas investigações, o MPDF identificou que a quadrilha interceptava boletos e, com o dinheiro arrecadado, comprava produtos pelo próprio Mercado Livre com perfis falsos de clientes. Os produtos eram entregues com nota fiscal em endereços de três cidades, sendo posteriormente levados a lojas de fachada da organização criminosa, que revendiam os itens no mercado.

Com lojas até em shopping da capital brasileira, duas integrantes da quadrilha foram presas em 2018 durante uma operação que apreendeu vários produtos furtados com a prática. Após isso, foi possível identificar o mecanismo do golpe.

Bitcoin foi utilizado pela quadrilha

As investigações apontam que além do uso de lojas físicas para lavagem de dinheiro, os integrantes utilizavam Bitcoin. As criptomoedas que eram compradas também pelo Mercado Livre ficavam em carteiras em posse dos criminosos, informou uma sentença a que o Livecoins teve acesso.

“Além das empresas de fachada, a organização criminosa dissimulava a origem ilícita dos bens com transações em moeda virtual, bitcoins. Em relação a tal prática, tanto o colaborador quanto as informações trazidas pelo Mercado Livre atestam que os integrantes da ORGCRIM transacionavam bitcoins.”

O prejuízo estimado com as ações fraudulentas do grupo passa de R$ 7 milhões, com mais de 4 mil transações fraudulentas. Para resolver o caso, a ajuda do Mercado Livre, que compartilhou com as autoridades várias informações, foi fundamental.

A sentença do TJDF, de 97 páginas, pode ser lida na íntegra neste link.