
Polícia afirma ter realizado uma investigação complexa para condenar os suspeitos. Imagem: Barnaby Johnson/Pixabay.
A Polícia Metropolitana de Londres revelou nesta quinta-feira (16) a condenação de três homens que se passavam por policiais para roubar criptomoedas de investidores. A quantia roubada chega a £ 4 milhões (R$ 27,4 milhões) em somente oito casos.
As investigações apontam que os suspeitos usavam o dinheiro roubado para bancar um estilo de vida de luxo, incluindo a compra de carros, roupas de grife e viagens.
Um caso semelhante aconteceu no Brasil no início deste mês. Após fingirem ser da Polícia Civil, dois homens sequestraram um influenciador em Ribeirão Preto e o obrigaram a transferir R$ 750 mil em criptomoedas.
Diferente do caso que aconteceu no Brasil, a quadrilha que atuava no Reino Unido enganava suas vítimas por telefone. Em suma, eles afirmavam que suas criptomoedas estavam em risco, gerando um senso de urgência para que os investidores não pensassem racionalmente sobre a ligação.
Além disso, eles também mantinham sites falsos que imitavam as páginas oficiais da polícia.
O esquema foi descoberto após as vítimas procurarem as autoridades em janeiro de 2025. A polícia analisou diversos dados, incluindo transações de criptomoedas, registros financeiros, dados de corretoras de criptomoedas e informações de provedores de internet.
Na sequência, conseguiram identificar os suspeitos por seus apelidos, bem como números de telefone, sites e padrões de gastos, levando à descoberta de conexões de crimes que inicialmente pareciam isolados.
Geoff Donoghue, inspetor-detetive da Equipe de Criptomoedas da Polícia Metropolitana, comenta que a investigação foi altamente complexa.
“A Equipe de Criptomoedas da Polícia Metropolitana rastreou meticulosamente milhões de libras, combinando uma ampla variedade de técnicas investigativas para desmantelar uma importante rede criminosa. Os criminosos não devem ter dúvidas: o trabalho policial está evoluindo junto com a tecnologia. Temos capacidade para rastrear e apreender ativos de alto valor e faremos tudo ao nosso alcance para identificar os responsáveis por esses crimes de fraude e levá-los à Justiça.”
Os três indivíduos foram identificados como Hamza Bashir (23), Kevin Nwamma (25) e Anthony Ikenwe (29). Dentre as acusações estão conspiração para cometer fraude e lavagem de dinheiro.
“Hamza Bashir inicialmente negou envolvimento e foi a julgamento, mas mudou sua declaração para culpado no oitavo dia do processo, depois que as autoridades apresentaram um conjunto substancial de evidências.”
Além disso, a polícia também apreendeu diversos dispositivos eletrônicos, incluindo 40 celulares, artigos de luxo e criptomoedas. Dos £ 4 milhões roubados das vítimas, as autoridades britânicas conseguiram reaver £ 1 milhão.
Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, os três suspeitos mantinham um estilo de vida luxuoso com o dinheiro roubado das vítimas.
Dentre os destaques está a compra de um carro avaliado em £ 60 mil (R$ 411 mil), cerca de £ 500 mil (R$ 3,4 milhões) em dinheiro vivo mantidos em um cofre em Dubai e viagens para Tailândia, Japão, Paris, Mykonos, Maldivas e Seychelles.
Apesar disso, um dos condenados declarava uma renda de somente £ 444.
Outros gastos mencionados incluiem compras frequentes em lojas de luxo, como Harrods, Hermès e Louis Vuitton, bem como hospedagens em hoteis e restaurantes.
Por fim, o caso ilustra como as criptomoedas podem ser facilmente rastreadas, facilitando o trabalho das autoridades. Por outro lado, conforme a quadrilha gastou boa parte do dinheiro, as vítimas precisarão arcar com o prejuízo.