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A recente decisão do governo paraguaio de exigir o reporte detalhado de todas as operações com criptomoedas pegou de surpresa muitos brasileiros que haviam transferido suas residências fiscais para o país vizinho.
O professor Renato Amoedo “Trezoitão”, que atualmente reside no Paraguai e é um conhecido defensor do Bitcoin, foi a público nesta semana para analisar o impacto da nova regulação e tranquilizar seus seguidores sobre as alternativas legais disponíveis para manter a privacidade financeira.
Para o especialista, as novas diretrizes da Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT) apresentam aspectos tanto positivos quanto negativos.
Ele argumenta que, no momento atual, a intenção do governo não é confiscar ou taxar o patrimônio digital, mas sim mapear o capital que circula dentro de suas fronteiras.
A leitura de Trezoitão aponta que a legislação paraguaia está, na verdade, empurrando os investidores para uma estruturação financeira mais profissional e globalizada.
A solução imediata sugerida pelo professor para evitar a exposição excessiva do patrimônio pessoa física ao fisco paraguaio é a abertura de uma Pessoa Jurídica (PJ) no exterior.
A estratégia consiste em integralizar todas as criptomoedas nesta companhia internacional, separando a residência física do local onde o dinheiro é efetivamente administrado.
Trezoitão explicou que, caso o Bitcoin esteja sob a posse de uma PJ fora do Paraguai, as operações de compra, venda ou locação de ativos não entram no escopo de interesse primário da nova malha fina do país.
Essa manobra de proteção, no entanto, exige capital. O influenciador destacou que manter uma estrutura corporativa sólida no exterior pode gerar um custo anual elevado, estimado por ele na casa dos 500 mil.
Ainda assim, ele enxerga o movimento de forma otimista, classificando-o como uma aplicação prática da “Teoria das Bandeiras”. Isso porque, a tese econômica defende que um indivíduo jamais deve concentrar seu patrimônio principal, sua renda, sua residência e sua cidadania sob a jurisdição de um único Estado.
Trezoitão avalia que a obrigação imposta pelo Paraguai força o investidor a criar uma camada extra de blindagem patrimonial.
Ele ressalta que essa organização financeira pode, inclusive, melhorar o relacionamento dos estrangeiros com os bancos paraguaios, uma vez que a estruturação via PJ facilita a criação de registros lícitos para comprovar a origem da riqueza.
Apesar de considerar que o Paraguai “não quer dinheiro, apenas informação” e que o país continua sendo amigável para quem não deseja pagar impostos exorbitantes, o defensor do bitcoin deixou claro que a relação dos expatriados com as jurisdições fiscais deve ser estritamente racional.
Caso o governo paraguaio decida mudar as regras no futuro e inicie uma cobrança agressiva de impostos sobre as criptomoedas, a estratégia é simples: mudar de país. “É um negócio, não é um casamento”, cravou o professor durante seu comentário.
No encerramento de sua análise, Trezoitão subiu o tom para alertar sobre os perigos da exposição pública de patrimônio, citando supostos casos recentes de violência e tortura contra detentores de criptomoedas em Paris.
O brasileiro utilizou o episódio para reforçar sua defesa inegociável da autocustódia e da privacidade, afirmando que o alinhamento político com governos ou candidatos que não respeitam a liberdade financeira e a proteção individual coloca em risco a segurança física e a vida das famílias dos investidores.
Sua análise completa segue disponível no canal Rotina do Trezoitão pelo YouTube, publicado na quinta-feira (12).
Vale destacar que, no próximo mês de abril, com o Missão Bitcoin organizado por Danilo Barros (Herege), Trezoitão receberá no Paraguai seguidores para mais uma edição do seu evento que percorreu todo o Brasil em 2025.
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