Satoshi Nakamoto roubou na mineração inicial de bitcoins?

Descoberta mostra que a forma como Satoshi minerou é diferente do software Bitcoin Core versão 0.1, pois buscava sequências diferentes de soluções de forma paralela.

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O Dia do Desaparecimento do Satoshi também é uma data importante para o setor.

Antes de mais nada precisamos entender quem é Sergio Lerner. Este argentino, estudante de criptografia há 3 décadas, foi funcionário de segurança digital do governo durante muitos anos.

Apesar do currículo impressionante, Sergio descobriu o Bitcoin somente no final de 2011. O mais incrível é que sua tese de graduação em 2010 era sobre pagamentos anônimos para uma rede P2P (ponto-a-ponto) para jogos de Poker.

Foi Sergio que desenvolveu a teoria que Satoshi Nakamoto (criador do Bitcoin) havia minerado 1 milhão de BTCs, e na época, foi duramente atacado no fórum bitcointalk. Aliás, este foi outro motivo que o levou a não investir na moeda em 2013. 

Sergio Lerner
Sergio Lerner

Sergio auditou os códigos-fonte da BitShares, Ethereum, Monero, ZCash, Grin, entre outros. Seu trabalho também ajudou no desenvolvimento das sidechains do Bitcoin, do Segwit, da tecnologia ASICBoost, além das trocas atômicas (atomic swaps).

Em 2015 este argentino co-fundou a RSK Labs, com foco em sidechains e integração de diferentes blockchains.

Satoshi minerou bitcoin com software otimizado, diz argentino

Esta semana Sergio voltou às manchetes com um novo estudo sobre as moedas de Satoshi, afirmando que uma única máquina foi utilizada, ao invés da teoria inicial, de cerca de 50. Este brilhante argentino chegou a esta conclusão montando um simulador, e re-minerando os blocos iniciais.

Sua descoberta mostra que a forma como Satoshi minerou é diferente do software Bitcoin Core versão 0.1, pois buscava sequências diferentes de soluções de forma paralela. Esta forma de minerar só foi descoberta pelo público ao longo de 2010.

O problema é que consome muito mais CPU, e a maioria dos mineradores o fazia por hobby, já que um Bitcoin não valia absolutamente nada nesta época.

Eis que Emin Gün Sirer @el33th4xor, professor da Universidade de Cornell, e ávido crítico do Bitcoin, resolveu afirmar que Satoshi realizou “fast-mine”, ou seja, uma mineração privilegiada, com um código-fonte que não estava disponível para o público.

A verdade é que qualquer um poderia ter feito melhorias em seu código-fonte, já que a versão 0.1 foi divulgada em 1/Ago/2008, e o primeiro bloco minerado apenas 5 meses depois. Satoshi inclusive colocou em sua própria versão um atraso de 5 minutos a cada novo bloco encontrado, para dar chance aos demais.

Lembra do Laszlo Hanyecz, o cara das pizzas de 10.000 Bitcoins? Pois é, ele foi um dos inventores da mineração utilizando placas de vídeo (GPU) e acumulou muito BTC.

Dizem até que foi após tomar um puxão de orelha do próprio Satoshi que Laszlo resolveu começar a brincadeira da pizza, buscando distribuir suas moedas. Há alguns posts no bitcointalk comprovando a teoria.

Quer saber quais moedas realmente tiveram “insta-mine” ou “fast-mine”? Pesquise sobre Litecoin e DASH.

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Marcel Pechman
Marcel Pechman é trader e analista de criptomoedas desde 2017. Atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Além de YouTuber em seu canal RadarBTC, foi reconhecido em diversas premiações como um dos maiores interlocutores do Bitcoin do país. Maximalista convicto, acredita na falência da moeda fiduciária, aquela emitida por governos.
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