O superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú BBA, Fernando Gonçalves, afirma que o mercado deve monitorar com rigor a ascensão das stablecoins. De acordo com o executivo, estas moedas deixaram o nicho tecnológico e agora ocupam um lugar central nas discussões de risco macroeconômico em todo o mundo.
“Riscos macroeconômicos potencialmente importantes no novo ano decorrem da relevância crescente das chamadas stablecoins“, destaca Gonçalves em seu novo artigo para a coluna Macroscópio.
O especialista explica que a paridade com moedas fiduciárias, como o dólar, torna o tema crucial para o equilíbrio do sistema monetário internacional em 2026.
Além disso, o interesse do governo dos Estados Unidos em impulsionar este mercado possui fundamentos estratégicos claros. O avanço de ativos digitais referenciados na moeda americana promove uma valorização contínua do dólar e fortalece sua posição como reserva global de valor.
Este movimento recebe o apoio de entusiastas como Stephen Miran, do Fed, que defende a integração destas tecnologias ao sistema financeiro nacional estadunidense.
Efeitos colaterais do crescimento das stablecoins e os desafios para o sistema bancário tradicional, segundo superintendente do Itaú
Apesar dos benefícios de liquidez e modernização, o executivo do Itaú BBA aponta para possíveis efeitos colaterais na economia real.
A hipótese de um desenvolvimento acelerado e sem supervisão adequada pode impactar negativamente a rentabilidade dos bancos comerciais.
Além disso, a migração de depósitos para redes de moedas estáveis possui o potencial de limitar a oferta de crédito disponível para empresas e indivíduos.
Gonçalves explica que a apreciação do dólar, impulsionada pela demanda das stablecoins por títulos do Tesouro, altera a dinâmica de preços internacionais.
O processo afeta diretamente os mercados emergentes, que enfrentam maior volatilidade cambial e pressão sobre suas políticas monetárias.
A busca por um equilíbrio entre a inovação digital e a segurança do sistema fiduciário permanece como um desafio técnico complexo para as autoridades.
Desta forma, o ritmo desta expansão exige uma modulação cuidadosa por parte dos reguladores para evitar crises sistêmicas. O monitoramento rigoroso das reservas de lastro e a transparência das empresas emissoras são requisitos fundamentais para garantir a confiança do investidor.
Acompanhamento estratégico e o futuro das transações globais
O cenário projetado para 2026 sugere que as stablecoins atuarão como infraestrutura essencial para pagamentos e remessas internacionais.
A eficiência operacional destas redes reduz custos e agiliza a liquidação de contratos, mas impõe novas necessidades de compliance e governança.
Instituições financeiras de grande porte já se preparam para oferecer soluções próprias que atendam a esta nova demanda do público institucional e de varejo.
Portanto, a análise conclui que as ramificações macroeconômicas deste fenômeno são vastas e imprevisíveis no curto prazo.
A vigilância constante sobre os dados de volume e o comportamento do lastro assegura que a transição ocorra de forma ordenada.