Tribunal da Bahia mantém mandato de prefeito mesmo com provas em blockchain

Juiz eleitoral aceita autenticidade de vídeos registrados em rede descentralizada, mas descarta cassação por falta de provas sobre gravidade das condutas

A Justiça Eleitoral da Bahia (TRE-BA) julgou nesta semana um caso sobre as eleições municipais da cidade de Catu. O processo atraiu atenção pelo uso da blockchain como ferramenta central de auditoria de vídeos.

O candidato derrotado Narlison Borges de Sales acusou seus rivais políticos de abuso de poder econômico e religioso.

A denúncia tentou cassar os mandatos de Geranilson Dantas Requião (Prefeito) e Mariana Araújo (Vice-Prefeita) com base em registros audiovisuais de cultos em igrejas e distribuição de brindes.

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Entenda o papel da blockchain no processo eleitoral

A equipe de acusação utilizou a tecnologia de registro distribuído para blindar as provas digitais contra questionamentos da defesa. A blockchain funciona na prática como um cofre virtual público e imune a fraudes de computador.

Quando um usuário insere um arquivo nessa rede, o sistema gera um selo criptográfico único e com data cravada em código. Esse processo atesta a cronologia exata da gravação e impede qualquer tipo de edição ou manipulação do vídeo original por terceiros.

O autor da ação apresentou um “Relatório de Auditoria de Blockchain” aos juízes baianos para validar as provas do processo. O objetivo era garantir a força probatória do material e afastar suspeitas sobre cortes nas imagens dos eventos políticos e religiosos.

Fronteira entre tecnologia e direito

A inovação técnica garantiu a autenticidade dos vídeos, mas não resolveu a disputa jurídica a favor do denunciante. O desembargador eleitoral Danilo Costa Luiz rejeitou os recursos e manteve a vitória dos políticos eleitos nas urnas.

O magistrado explicou a diferença entre a validade técnica de um arquivo de mídia e a materialidade de um crime eleitoral. Assim, o tribunal aceitou a veracidade das imagens armazenadas na rede descentralizada e reconheceu a presença dos candidatos nas igrejas relatadas.

Contudo, a barreira para a condenação surgiu na interpretação do conteúdo gravado em vídeo e em áudio. A lei eleitoral exige provas robustas de coação moral, intenção explícita de compra de votos e impacto direto no resultado do pleito.

Processo envolveu blockchain em disputa eleitoral, mas justiça não viu importância nas provas
Processo envolveu blockchain em disputa eleitoral, mas justiça não viu importância nas provas (Foto/Reprodução).

Ausência de provas de gravidade, decidiu justiça eleitoral da Bahia

O juiz concluiu que a presença de um candidato em um evento religioso não configura abuso de poder por si só. A acusação precisava provar a ocorrência de comícios em locais proibidos ou a distribuição de vantagens em troca de apoio político.

As imagens validadas pela blockchain exibem a distribuição de camisas com o slogan “Pense G” e a visita aos templos. O tribunal avaliou, no entanto, que o material não demonstra uma manipulação psicológica orquestrada contra a vontade dos eleitores locais.

A corte apontou a fragilidade do contexto apresentado pela denúncia para justificar a cassação de um mandato. A exatidão do código de computador atestou a existência dos fatos, mas não provou a ilicitude ou a gravidade das ações.

O autor do processo tentou reverter a derrota inicial com a alegação de omissão por parte dos juízes baianos. A petição argumentou que a corte ignorou o peso da auditoria tecnológica com blockchain ao proferir a sentença a favor dos investigados.

O relator, no entanto, classificou o recurso como um mero inconformismo com a derrota nas urnas e encerrou a questão. Por fim, o caso mostra que a criptografia assegura a integridade dos dados de forma importante, mas a punição de um crime ainda depende da interpretação dos magistrados sobre a conduta política.

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Bruno Costa
Bruno Costahttps://bruno-costa.com
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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