Mercado P2P de bitcoin e criptomoedas no Brasil soma trilhões e Binance domina o setor

Relatório inédito revela que 80% das negociações usam Pix e brasileiros preferem dólar digital ao Bitcoin no comércio direto

Uma análise divulgada nesta terça-feira (17) pela Crystal Intelligence mapeou a estrutura do mercado peer-to-peer (P2P) de bitcoin e criptomoedas no Brasil. O estudo identificou 1.641 anúncios ativos distribuídos em nove plataformas e registrou uma capacidade de negociação de US$ 2,22 trilhões.

A Binance lidera o setor e detém 45,1% de todas as ofertas disponíveis no país. O relatório aponta alta concentração de liquidez entre poucas empresas.

As três principais plataformas controlam sozinhas 78,5% de toda a atividade P2P nacional. A Paxful aparece na segunda posição com 19,1% do mercado e a Noones segue com 14,3%. Corretoras menores dividem o restante da fatia e disputam a relevância entre os usuários.

Assim, o domínio centralizado em poucas plataformas define a dinâmica de preços e acesso para milhões de investidores. Outras corretoras que operam P2P, como ByBit e OKX, representam uma parcela reduzida das ofertas e enfrentam barreiras maiores de custo.

Maiores plataformas P2P de bitcoin e criptomoedas operando no Brasil segundo estudo
Maiores plataformas P2P de bitcoin e criptomoedas operando no Brasil segundo estudo de 2026 (Fonte: Crystal Intelligence).

Supremacia do Pix e do USDT

O sistema Pix domina a forma como os brasileiros negociam ativos digitais entre si. O método de pagamento instantâneo está presente em cerca de 80% dos anúncios monitorados. A velocidade da liquidação financeira torna o mercado P2P muito eficiente e competitivo contra as exchanges tradicionais.

O mercado P2P do Brasil representa a interseção entre inovação e desafio regulatório na América Latina. Com US$ 2,2 trilhões em capacidade de negociação anunciada e integração do PIX em 80% das transações, essas plataformas se tornaram infraestrutura financeira essencial para milhões de brasileiros“, diz no estudo Zuzanna Kolucka Maeji, Diretora Associada de Vendas para a América Latina da Crystal Intelligence.

Os dados mostram a preferência por moedas estáveis em vez do Bitcoin para trocas diretas. O USDT representa 46,2% das atividades e lidera o volume de ofertas. O investidor local busca a paridade com o dólar para proteger seu poder de compra e realizar transferências de valor.

Essa característica altera o foco da fiscalização financeira. O Banco Central classifica certas operações com stablecoins como câmbio e exige reportes ao Coaf. O uso do Pix facilita o rastreio das transações pelas autoridades brasileiras.

Impacto da regulação que começou em fevereiro de 2026

O cenário mudou com as novas regras de licenciamento para Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs) em fevereiro de 2026. Isso porque, as empresas enfrentam agora uma escolha entre a conformidade total ou a saída do mercado brasileiro.

As exigências do Banco Central do Brasil incluem capital mínimo, segregação de ativos e identificação rigorosa de clientes por meio do conheça seu cliente (KYC).

A análise sugere que as grandes plataformas possuem estrutura para absorver os custos de adaptação. A Binance e a Paxful já operam com sistemas globais de compliance e podem liderar a transição.

Já as plataformas menores e sem representação local correm risco de exclusão ou bloqueio.

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Bruno Costa
Bruno Costahttps://bruno-costa.com
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4).

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