Justiça manda negativar Mercado Bitcoin no SPC e Serasa por dívida com investidor

"Não existe impedimento técnico real para a entrega de bitcoin", defende advogado de investidor

A corretora brasileira Mercado Bitcoin, que tem como sócio a 2TM Participações, teve um pedido de inclusão de seu nome na base do sistema do SPC e do Serasa, na terça-feira (17). Atendendo a defesa de um investidor, a corretora tem uma condenação que determina ela a devolver 0,88 bitcoins a um cliente que teve sua conta invadida.

Defiro, portanto, a inclusão do nome da executada Mercado Bitcoin Serviços Digitais Ltda nos cadastros de inadimplentes (Serasa e SPC), a qual deverá perdurar até o integral cumprimento da obrigação de fazer consistente na entrega de 0,88094998 BTC.“, diz a decisão a que a reportagem do Livecoins obteve acesso.

O cumprimento de sentença, assinado pela juíza Marta Oliveira de Sá, do Tribunal de Justiça de São Paulo, indica que o Mercado Bitcoin já tem uma decisão de devolução “estabilizada e confirmada, inclusive em sede recursal“. Ou seja, já não cabe mais recursos para a corretora, mesmo com a empresa dizendo que não tem bitcoins neste caso.

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Além disso, a justiça determinou uma multa diária de alto valor para a corretora neste mesmo caso, mas a magistrada reforçou que a empresa segue inadimplente.

No caso concreto, a inclusão do nome da executada nos cadastros de proteção ao crédito mostra-se medida idônea e proporcional, apta a reforçar a coercitividade da ordem judicial e a assegurar a efetividade da tutela jurisdicional, sem implicar constrição patrimonial desarrazoada“, decidiu.

Os sistemas Serasajud e SCPCJud devem constar a solicitação em até cinco dias após a publicação da decisão, divulgada nesta quinta-feira (19).

O que diz defesa?

Segundo o advogado especialista em criptomoedas Raphael Souza, responsável pelo caso, “não existe impedimento técnico real para a entrega de bitcoin. A discussão não é sobre tecnologia, mas sobre responsabilidade. O cliente busca um ativo que saiu da sua conta, não um equivalente financeiro que nunca refletirá exatamente o que foi perdido.

A reportagem do Livecoins não conseguiu contato com a defesa da corretora, mas o espaço segue em aberto para manifestações.

Nome no SPC e Serasa afeta crédito de empresas no Brasil e pode afetar uma empresa de um setor recém regulado

Um dos pontos mais sensíveis da fase atual envolve a possibilidade de medidas que impactem diretamente o crédito da empresa caso a obrigação principal continue sem cumprimento.

Isso porque, no cenário jurídico brasileiro, a inclusão em cadastros como SPC e Serasa é considerada uma medida legítima de coerção em execuções civis, podendo gerar repercussões reputacionais relevantes enquanto a decisão permanecer pendente.

As instituições financeiras possuem regras rígidas de compliance e podem promover o encerramento unilateral de contas correntes.

Vale destacar que o mercado brasileiro atravessa a fase de adaptação ao novo marco regulatório das criptomoedas. As empresas precisam obter a licença de Prestador de Serviços de Ativos Virtuais (VASP) junto ao Banco Central.

O regulador exige garantias de solidez financeira, capacidade operacional e boa reputação. Assim, uma eventual execução judicial com inscrição em órgãos de proteção ao crédito pode manchar o histórico da empresa e talvez até atrair fiscalização extra.

Embora o nome da corretora ainda não conste negativado, conforme apurado pela reportagem do Livecoins nesta quinta, o risco de restrições desse tipo passou a integrar o debate jurídico do caso, ampliando a pressão para o cumprimento da ordem judicial.

Nome do Mercado Bitcoin ainda não está negativado, mas decisão quer incluir empresa no SPC e Serasa
Nome do Mercado Bitcoin ainda não está negativado, mas decisão quer incluir empresa no SPC e Serasa (Foto/Reprodução) (Consulta em 19/02/2026).

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Bruno Costa
Bruno Costahttps://bruno-costa.com
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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