Os ETFs de Bitcoin acumularam entradas de US$ 1,16 bilhão nos últimos 7 dias de negociação, mas registraram sua primeira saída nesta quarta-feira (18), sinalizando uma mudança no apetite.
A interrupção desta sequência está ligada à política monetária de diversos países. Isso porque bancos centrais destacaram os riscos da inflação, principalmente por conta da disparada do petróleo.
Como consequência, o Bitcoin voltou a ser negociado abaixo dos US$ 70.000. No início da semana, a criptomoeda chegou a US$ 76.000, seu maior nível desde o início de fevereiro.
Bancos centrais se mostraram preocupados com a inflação nesta ‘Super Quarta’
A quarta-feira (18) foi marcada por reuniões de diversos bancos centrais. A maior atenção do mercado estava voltada para o Fed, que manteve sua taxa de juros inalterada.
Jerome Powell, presidente do BC americano, destacou que o tarifaço de Trump continua mantendo a inflação elevada. Questionado sobre os impactos da disparada do petróleo, Powell afirmou que eles estão “preparados para fazer o que for preciso”.
Suas falas causaram uma grande mudança nas previsões sobre as próximas reuniões. As imagens abaixo mostram a mudança nas expectativas do mercado antes e depois da reunião.


O Banco Central do Japão seguiu o mesmo caminho, mantendo a taxa de juros inalterada, mas também se mostrando preocupado com os riscos inflacionários.
“Antes do conflito no Oriente Médio, a atividade das famílias e das empresas estava sólida. As medidas de estímulo do governo provavelmente vão sustentar a economia”, disse Kazuo Ueda em coletiva acompanhada pela Reuters. “Vamos levar esses pontos em conta ao determinar em que medida a alta dos preços do petróleo pode pesar sobre a economia por meio da deterioração dos termos de troca.”
Quando a inflação aumenta, bancos centrais elevam juros para frear o consumo e conter os preços. Isso também diminui o apetite por ativos de risco, como o Bitcoin.
ETFs interrompem sequências de entradas temendo economia mais travada
Novamente servindo como um termômetro do mercado, os ETFs de Bitcoin registraram US$ 163,5 milhões em saídas após passarem sete dias com entradas.

Enquanto o IBIT da BlackRock teve saídas de US$ 33,9 milhões, as maiores vendas aconteceram no FBTC da Fidelity, com US$ 103,8 milhões. Na sequência aparece o GBTC da Grayscale com US$ 18,8 milhões e o BITB da Bitwise com US$ 7 milhões.
O mercado agora espera os fluxos desta quinta-feira (19), mas a expectativa é de mais saídas.
Bitcoin cai abaixo dos US$ 70.000 novamente e outras criptomoedas acompanham
O Bitcoin surpreendeu nesta semana após valorizar mais que o ouro e outros ativos tradicionais. No entanto, a criptomoeda acumula uma perda de 9% em relação ao seu topo semanal.

Outras criptomoedas acompanham a tendência. Ethereum cai 4,8% nas últimas 24 horas e nomes como XRP, BNB e Solana perdem entre 0,8% a 2,3% no mesmo período.

O mercado de ações também foi afetado. S&P 500 abre o dia em queda de 0,44% e o índice Dow Jones cai 0,57%. As maiores perdas ficam para o ouro, caindo 4,3%.
