Um minerador da ‘era Satoshi’, época em que o criador do Bitcoin ainda estava presente no desenvolvimento do projeto, moveu 600 bitcoins pela primeira vez no último dia 5 de setembro. As moedas estavam paradas há 16 anos em doze endereços.
Dados on-chain mostram que as moedas permanecem paradas em outros doze novos endereços do tipo Bech32, que iniciam com bc1q. Portanto, isso indica que o investidor não moveu suas moedas para vendê-las, mas sim para melhorar a sua segurança.
Isso porque esses 600 bitcoins, avaliados em US$ 47 milhões/R$ 242 milhões, estavam em endereços P2PK (Pay-to-Public-Key), que, como o próprio nome sugere, têm suas chaves públicas expostas e podem ser alvos de ataques de longo alcance por computadores quânticos.
Moedas foram mineradas quando o Bitcoin valia centavos de dólar, mas hoje valem milhões
Os 600 bitcoins em questão foram minerados entre os blocos 43.361 e 43.928, entre os dias 2 e 5 de março de 2010. Na data, Satoshi Nakamoto ainda estava presente no desenvolvimento do projeto e cada Bitcoin era negociado por menos de um dólar.
Dado isso, as moedas ficaram paradas por mais de 16 anos e meio antes de serem movidas pela primeira vez no dia 5 de setembro.

Embora os 600 bitcoins valessem poucos dólares na época em que foram minerados, hoje eles estão avaliados em R$ 242 milhões, mais do que o dobro do atual prêmio acumulado da Mega-Sena.
No entanto, as moedas seguem paradas em doze novos endereços após nove dias, sem indicação de que foram enviadas para corretoras.

Os endereços em questão eram tão antigos que alguns exploradores de blocos nem sequer registram suas transações e, em vez disso, é preciso buscar pelas suas chaves públicas para obter o histórico de transações.
Embora o criador do Bitcoin estivesse na época em que essas 600 moedas foram mineradas, dados da Arkham mostram que nenhum endereço está ligado ao ‘padrão Patoshi’, que identifica os possíveis bitcoins de Satoshi Nakamoto.
Valor movimentado chama a atenção por ser a mesma quantia perdida pela Liquid Network, mas isso é apenas coinscidência
Além da curiosidade sobre essas moedas terem ficado paradas por tanto tempo, a soma de 600 bitcoins também chama atenção por ser a mesma quantia perdida pela Liquid Network em um recente ataque à rede.
No entanto, essas moedas foram movimentadas no dia 5 de setembro, a Liquid foi atacada no dia 6 e o hacker devolveu parte dos bitcoins (faltando 600 moedas) no dia 7.
Portanto, a quantia de 600 bitcoins é uma coincidência e não um indicativo de que elas teriam sido movimentadas por alguém da Blockstream para cobrir o rombo da Liquid.
Por fim, tudo indica que o minerador em questão apenas moveu suas moedas para endereços mais seguros devido ao avanço da computação quântica, sendo o caso mais um exemplo de como a paciência é fundamental para investir.
