Circle solicita mudanças na regulação MiCA para stablecoins

Empresa nota que somente 3 das 30 maiores stablecoins do mercado conseguiram se adequar à regulação MiCA e pede mudanças no texto

A Circle, emissora da stablecoin USDC, publicou nesta quinta-feira (1º) uma nota solicitando que a Comissão Europeia revise certas regras impostas ao setor em que atua.

Uma das principais críticas é sobre a exigência de que emissores de stablecoins mantenham um mínimo de 30% do lastro desses ativos em bancos comerciais. O valor sobe para 60% para grandes empresas, o que inclui a Circle.

Na semana passada, o próprio Sistema Europeu de Bancos Centrais (ESCB, na sigla inglesa) enviou uma proposta de alteração desse valor para 40%. Na data, Paolo Ardoino, CEO da Tether, emissora da USDT, também se posicionou contra essa exigência.

Devido ao tamanho da USDT e da USDC, atualmente as duas maiores stablecoins do mercado, bem como do apoio do ESCB, é possível que essa mudança seja atendida pelos reguladores da União Europeia (UE).

Circle nota que somente 3 das 30 maiores stablecoins do mercado são compatíveis com a regulação MiCA

Em resumo publicado nas redes sociais, Patrick Hansen, Diretor de Estratégia e Política da UE da Circle, nota que a regulação MiCA criou 40 tokens de moeda eletrônica (EMTs, na sigla inglesa), mas que poucas delas são relevantes.

“Considerando as maiores stablecoins do mundo por capitalização de mercado, apenas 3 das 30 maiores são atualmente compatíveis com o MiCA, e 2 delas são da Circle.”

As três moedas em questão seriam USDC e EURC, ambas emitidas pela Circle, bem como a USDG, emitida pela Paxos.

O executivo então sugere que os reguladores da UE adotem uma política de “reciprocidade transatlântica”, reconhecendo stablecoins estrangeiras como faz, por exemplo, o Genius Act dos EUA. Tal estrutura também poderia ser utilizada inversamente, com países fora da UE reconhecendo stablecoins emitidas no bloco econômico.

Circle é uma das únicas gigantes que conseguiu se adequar à regulação MiCA, mas solicita mudanças no texto. Fonte: X.

No artigo completo, a Circle nota que a própria Comissão Europeia destacou ainda em 2020 que existia o risco de que a proibição das stablecoins incentivasse usuários a comprar essas moedas de entidades offshore, deixando-os sem os direitos e proteções planejados pela MiCA.

Finalizando, a empresa critica a exigência de um lastro de 60% de sua moeda mantida em bancos comerciais, dentre outros pontos.

“Também recomendamos a remoção de duas regras de concentração introduzidas pelas normas técnicas de nível 2 da EBA: o limite de 35% para exposição a um único soberano, que impossibilita emissores de moedas não pertencentes à UE (como tokens denominados em USD) de manter principalmente ativos soberanos de alta qualidade e liquidez (HQLAs) em suas reservas; e o limite de 1,5% do total de ativos bancários por contraparte bancária, que obrigará emissores maiores a manter relações de reserva com dezenas de bancos diferentes para permanecer dentro do limite, aumentando assim a complexidade operacional e o risco.”

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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