Moradores de Limestone, uma comunidade rural no estado do Tennessee, nos EUA, estão comemorando a saída de uma grande mineradora de Bitcoin da região. A disputa durou cerca de cinco anos e envolvia o barulho causado pela operação, que precisa de milhares de pequenos ventiladores para refrigerar os equipamentos.
Segundo acordo judicial assinado em 2023, a CleanSpark tem até este sábado (28) para desligar as máquinas e 120 dias para retirá-las do local.
O caso não é único. Como exemplo, outra mineradora que operava em uma pequena cidade no estado de Arkansas também foi processada pelo mesmo motivo anos atrás.
Moradores do interior dos EUA diziam que mineradora de Bitcoin estava interrompendo o silêncio da região
As reclamações dos moradores de Limestone começaram ainda em 2021, logo após a mineradora de Bitcoin se instalar na região. As críticas eram sobre o barulho do sistema de refrigeração da operação.
“É um zumbido constante. Nunca vai embora. Você ouve quando vai dormir e ouve quando acorda”, comentou um morador para o jornal WJHL na data.
A reportagem, disponível no YouTube, também mostrava que a mineradora tentou suprimir o barulho usando barreiras de proteção sonora. Apesar disso, as queixas continuaram e a disputa foi para os tribunais.
Mineradora abandonará o local neste sábado (28) e população comemora
A expulsão da mineradora foi firmada por um acordo judicial ainda no fim de 2023, dando pouco mais de dois anos de prazo, que chegará ao fim neste sábado (28). A comunidade já está comemorando a saída.
“Estamos muito acostumados a sair de casa logo de manhã e ouvir esse som”, disse um morador para a WJHL. O vídeo, disponível abaixo, mostra que o som é uma mescla de ventiladores com pássaros.
“Estamos mais do que prontos para que isso acabe.”
Já Greg Matherly, presidente da Comissão do Condado de Washington, se mostrou arrependido de ter aprovado a construção da mineradora no local em 2020. Sua justificativa é que não lhe foi informado que se tratava de uma operação barulhenta.
“A comunidade fez um ótimo trabalho ao se manifestar e dizer que havia algo errado, e esse foi o primeiro sinal real de que a comissão realmente tinha um problema ali”, disse Matherly.
“Ninguém sabia o que era aquilo enquanto estava sendo construído, até que já era tarde demais”, disse um morador, concordando com a explicação de Matherly.
Por fim, a decisão abre precedente para disputas semelhantes em outras cidades, especialmente em áreas rurais, onde moradores não estão acostumados a ruído industrial contínuo.
