Apple mira na tecnologia blockchain para combater o trabalho infantil

A gigante da tecnologia submeteu um documento à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), se comprometendo com a defesa dos direitos humanos e combate ao trabalho infantil e degradante.

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(Foto: Anistia.org)

Paul* tem 14 anos e sofre de bronquite crônica por inalar cobalto em uma mina na República Democrática do Congo. Ele trabalha 12 horas por dia se esgueirando por túneis e transportando sacos extremamente pesados. Mas o que é que um garotinho do outro lado do oceano tem a ver comigo, você pergunta? Tudo. Porque muito provavelmente o smartphone ou notebook que você está utilizando para ler esta matéria foi construído a partir do trabalho degradante de meninos como Paul. A nova aposta da Apple, apontada por fazer “vista grossa” a situações como a descrita acima,  é investir na tecnologia blockchain para promover uma cadeia de suprimentos mais ética e decente para seus atores.

De acordo com o CoinDesk, na última sexta-feira (15) a empresa da maçã submeteu um relatório à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), no qual destaca seus esforços e compromisso com a defesa “dos direitos humanos em toda a sua rede global de fornecedores”.

No documento, a empresa informa que está trabalhando no desenvolvimento das diretrizes do projeto Responsibles Minerals Initiative (RMI), que tem como objetivo implementar a tecnologia blockchain para rastrear o processo de extração de minérios e proteger os trabalhadores envolvidos nessa atividade.

Escândalo

Vale ressaltar que o recente engajamento da Apple surge após uma reportagem  da Fortune, em agosto do ano passado, e de denúnciasda Anistia Internacional, em 2016, que acusou a empresa de ser conivente com o trabalho infantil e degradante na produção dos minérios, incluindo o cobalto, utilizados em seus aparelhos.

O cobalto é um mineral abundante no Congo e matéria-prima das baterias usados em smartphones, notebooks e tablets. Na época, a investigação da Anistia Internacional expôs a negligência generalizada partindo não apenas da Apple, mas também da Samsung e da Sony, dentre outras multinacionais.

A partir de então, adotar um padrão de auditoria na cadeia de suprimentos tem se tornado mais importante nos últimos tempos, e a tecnologia blockchain vem se fortalecendo com a promessa de que trará melhorias, eficiência e mais transparência para a gestão dessa indústria. Empresas como a IBM e Ford são alguns dos exemplos que se renderam as possibilidades da tecnologia e também anunciaram iniciativas com blockchain na região do Congo.

Soluções blockchain

O documento foca nos esforços e diretrizes adotados pela Apple para combater o trabalho degradante e, dessa forma, não deixa claro se desenvolverá algum tipo de solução relacionada à blockchain ou produtos derivados da tecnologia.

No entanto, com o investimento dos concorrentes, como Samsunge Microsoft, e o documento recente apresentado à SEC, há especulaçõesde que a empresa esteja trabalhando na tecnologia blockchain nos bastidores.

Como destaca o CoinDesk, a adesão efetiva da companhia poderá incentivar a adoção da tecnologia em massa. Citando Jeff John Roberts, da Fortune, destaca que “será necessário um gigante da tecnologia como a Apple para fazer os pagamentos de blockchain funcionarem em escala”.

*Paul é um personagem real retirado da reportagem da Anistia.org. Para o texto completo, acesse aqui.

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Camila Marinho
Camila Marinho é jornalista, com passagem por jornais impressos e outros portais com foco em criptomoedas. Acredita que a tecnologia blockchain é como o fogo dado por Prometeu à humanidade. Cresceu sob o sol da Bahia e hoje vive no frenesi do centro de São Paulo.

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