Banco Central aumenta exigências a exchanges de bitcoin do Brasil
30/01/2026 11:40 11:40
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(Foto: Pedro França/Agência Senado)
O Banco Central do Brasil (BCB) publicou na quinta-feira (29) a Instrução Normativa (IN) BCB nº 704, novo documento que regula as exchanges de bitcoin e criptomoedas interessadas em operar no país, ou que já estavam em operações.
Assim, a norma estabelece os procedimentos, documentos e prazos para que as “Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais” (PSAVs) solicitem formalmente sua autorização para operar no país.
A nova regra, que entra em vigor na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, consolida o arcabouço regulatório iniciado pelas Resoluções 519 e 520 de 2025. A partir de agora, o mercado está oficialmente dividido em dois grupos: quem já estava operando e quem pretende entrar no setor.
Dois regimes de autorização para exchanges de bitcoin e criptomoedas no Brasil
A IN 704 cria fluxos distintos dependendo do estágio operacional da empresa. Para as exchanges que já estavam em atividade na data de entrada em vigor das resoluções (02/02/2026), haverá um processo de transição em duas fases.
Segundo Thiago do Amaral Santos, sócio do BTLaw e especialista em regulação financeira, esse modelo visa organizar a adequação do mercado. Para as corretoras que já operam no Brasil, o processo será dividido em duas fases.
Fase 1 (Até 30 de outubro de 2026): As empresas devem protocolar um requerimento comprovando que já estavam em atividade. O ponto crítico aqui é a exigência de demonstrações financeiras dos três últimos exercícios, auditadas por profissional independente registrado na CVM. Além disso, controladores e detentores de participação qualificada devem apresentar declarações de reputação ilibada e autorizações para que o BC acesse seus dados fiscais e criminais.
Fase 2 (60 dias após aprovação da Fase 1): Após o “ok” do BC na primeira etapa, a empresa terá 60 dias para apresentar o plano de negócios detalhado, comprovar a origem lícita dos recursos de capital e demonstrar capacidade econômico-financeira.
Para quem deseja abrir uma exchange agora ou no futuro (e não estava operando antes de fevereiro de 2026), não há fase de transição. O pedido de autorização deve ser instruído com a documentação completa das novas regulações desde o início.
Isso inclui sumário executivo do plano de negócios, declarações de capacidade financeira dos controladores, origem dos recursos e comprovação de infraestrutura tecnológica compatível com os riscos do negócio.
Comunicação coloca relógio para correr, indica especialista
Em análise publicada nesta sexta-feira (30), Thiago do Amaral Santos destaca que a norma traz clareza sobre o conteúdo mínimo esperado pelo regulador.
“Para PSAV ainda não operacionais, o dossiê, em linhas gerais, organiza-se em três blocos: (i) estrutura societária e controle; (ii) integridade e elegibilidade de participantes e administradores; e (iii) planejamento do negócio com governança, tecnologia e controles compatíveis com o modelo“, explica o advogado.
Santos também alerta para a necessidade de preparação antecipada para a Fase 2 das empresas em atividade. “O prazo começa a fluir a partir do pronunciamento do BCB. Por isso, recomenda-se preparação antecipada da documentação da Fase 2, reduzindo risco de instrução incompleta dentro da janela aplicável“.
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Bruno Costa
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.
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