O Bank of America (BofA) pode ser o primeiro gigante tradicional a entrar no setor de stablecoins. Em conversa com a Bloomberg durante evento no Economic Club, Brian Moynihan, CEO do BofA, afirmou que eles só estão esperando um sinal verde do governo americano.
No mês passado, o executivo já havia afirmado que bancos tem interesse em trabalhar com criptomoedas. No entanto, destacou que faltava uma clareza regulatória para isso ser feito.
Os mais prejudicados podem ser as empresas emissoras de stablecoins famosas, como USDT e USDC. Afinal, grandes bancos teriam uma grande vantagem competitiva, tanto em questões de regulação quanto na base de clientes.
Bank of America fala em criar sua própria stablecoin
Um relatório publicado pela Our Network aponta que as stablecoins já representam 1% de todo M2 (papel-moeda + depósitos à vista) do dólar americano. No total, hoje o valor de mercado das stablecoins chega a US$ 221 bilhões (R$ 1,3 trilhão), sem sinais de que esse crescimento será interrompido.
Em conversa com a Bloomberg, Bank Moynihan, CEO do Bank of America, destacou que essas moedas são bem parecidas com os serviços já oferecidos por bancos. Ou seja, basta o governo americano assinar uma lei, e eles entrarão na jogada.
“Está bem claro que haverá uma stablecoin, que será totalmente lastreada em dólares, algo que não é diferente de um fundo de mercado monetário com acesso a cheques, ou de uma conta bancária, na verdade”, comentou Moynihan.
“Então, se eles legalizarem isso, entraremos nesse negócio, e você terá uma moeda do Bank of America e um depósito em dólares americanos, e poderemos movê-las de um lado para o outro.”
"It's pretty clear there's going to be a stablecoin, which is going to be a fully dollar-backed… it’s no different than a bank account," says Bank of America CEO Brian Moynihan.
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— Bloomberg TV (@BloombergTV) February 25, 2025
Na conversa completa, que pode ser encontrada no YouTube, o executivo também afirmou que seu banco “atende a todos”, não tendo discriminação contra a indústria de criptomoedas.
Emissoras de stablecoins estão em guerra e podem ser dizimadas por grandes bancos
Também nesta semana, Paolo Ardoino, CEO da Tether, afirmou que suas rivais estão usando táticas políticas para enfraquecê-los. Em suma, foi apontado que os EUA poderiam proibir emissoras estrangeiras de stablecoins de negociarem títulos do Tesouro americano, hoje a maior fonte de renda do USDT.
Mais tarde, em conversa com a Bloomberg, Jeremy Allaire, CEO da Circle, emissora da USDC, também falou sobre o assunto.
“Isso não deveria ser um passe livre, certo? Onde você pode simplesmente ignorar a lei dos EUA, fazer o que quiser em qualquer lugar e vender para os Estados Unidos.”
“Isso é uma questão de proteção ao consumidor e integridade financeira”, continuou Allaire. “Seja uma empresa offshore ou baseada em Hong Kong, se quiser oferecer sua stablecoin lastreada em dólares nos EUA, deveria ser necessário se registrar nos EUA, assim como nós temos que nos registrar em outros lugares.”
No entanto, enquanto essas empresas travam uma guerra entre si, gigantes como o Bank of America podem invadir esse mercado e tomar o posto dessas duas que hoje dominam o setor.
Afinal, grandes bases de clientes já confiam em seus bancos, sendo fácil empurrar um novo produto do tipo. Além disso, os bancos também levariam vantagem em questões regulatórias, que hoje são a maior ameaça para esses projetos.