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BIS afirma que stablecoins podem gerar maior concorrência no setor financeiro, mas alerta sobre novos riscos

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O Banco de Compensações Internacionais (BIS) publicou seu relatório econômico anual nesta semana, abordando diversas mudanças no sistema financeiro.

Um dos destaques são as stablecoins, que receberam um capítulo inteiro com cerca de 30 páginas sobre os riscos e benefícios desse dinheiro digital.

Indo além, o banco também fala sobre o impulso causado pela Inteligência Artificial (IA), bem como inflação, tarifas entre países e até mesmo os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz.

Stablecoins são destaque novamente em relatório do BIS

Essa não é a primeira vez que o BIS dá atenção para as stablecoins. Como exemplo, um relatório publicado em maio apontava que a rápida adoção dessas moedas poderia corroer a soberania monetária de países em desenvolvimento.

Antes disso, em 2025, eles também defenderam que bancos centrais e outras autoridades financeiras deveriam “conduzir o sistema financeiro pelo caminho correto”, mantendo o controle da política monetária.

No novo documento, o BIS afirma que “a inovação digital está transformando as finanças, com potencial para permitir maior concorrência e eficiência nos sistemas de pagamento e na intermediação financeira”. No entanto, destaca que as stablecoins “ameaçam a integridade financeira”.

“Uma adoção ampla levantaria desafios adicionais que dependem, em parte, da composição das reservas das stablecoins e da escala da demanda externa.”

Na sequência, o BIS faz uma breve explicação sobre o que é dinheiro, citando que ele precisa ser uma unidade de conta, um meio de troca e uma reserva de valor. O relatório também aborda a questão de efeitos de rede do dinheiro, ou seja, que uma moeda se torna mais útil conforme mais pessoas a utilizam.

Indo além, o texto também destaca que as stablecoins apresentam diversos potenciais casos de uso.

“Elas podem ser integradas a contratos inteligentes que viabilizam programabilidade. Podem servir como portas de entrada e saída do ecossistema cripto ou oferecer exposição a uma moeda estrangeira, principalmente ao dólar americano. E, como instrumentos de pagamento transfronteiriço, prometem transferências mais rápidas e baratas do que as alternativas convencionais.”

BIS aponta que uso de stablecoins segue dominante na negociação de criptomoedas, mas mostra que já existe uso em pagamentos, on/off ramping e liquidação. Fonte: BIS/Reprodução.

Stablecoins de dólar seguem dominantes

Em outro trecho, o BIS nota que o mercado de stablecoins segue dominado por moedas atreladas ao dólar americano e, além disso, USDT e USDC são responsáveis por grande parte do valor de mercado total desses ativos.

“As experiências de décadas anteriores com a dolarização podem oferecer algumas pistas sobre como a dolarização via stablecoins pode evoluir. Ao mesmo tempo, a dolarização por meio de stablecoins pode dar origem a novos desafios e canais de transmissão.”

Stablecoins atreladas ao euro, real, iene e outras moedas possuem pouca participação no mercado. Fonte: BIS.

Finalizando, o relatório aponta que as stablecoins podem ser utilizadas como um canal para contornar controles de capital e que restrições de reguladores locais podem não ser suficientes para barrar essa prática.

BIS fala sobre riscos das stablecoins e recomenda supervisão

Embora reconheça o potencial das stablecoins, o BIS também faz uma série de alertas sobre riscos envolvendo essas moedas digitais privadas.

Um dos principais exemplos é a falta de verificação de identidade de endereços. Dado isso, o relatório aponta que diferentes jurisdições compartilham do mesmo desafio e devem trabalhar juntas, evitando arbitragem regulatória.

“A cooperação na regulação e supervisão de emissores de stablecoins é uma área a ser aprofundada. Isso pode incluir colégios de supervisão transfronteiriços e planejamento de resolução para emissores relevantes, modelos comuns de dados e arranjos de cooperação que cubram explicitamente a estabilidade financeira.”

Outra solução apresentada seria a criação de plataformas programáveis onde reservas de bancos centrais, depósitos bancários e outros ativos digitais pudessem coexistir, o que reduziria custos e erros.

BIS acredita que bancos centrais devem continuar sendo uma referência mesmo com a digitalização do dinheiro. Fonte: BIS/Reprodução.

Como conclusão, o BIS aponta que “os formuladores de políticas devem promover a inovação ao mesmo tempo em que preservam a confiança no dinheiro”.

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Henrique HK

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

Autor:
Henrique HK