
José Gabriel Espinoza, Ministro da Economia da Bolívia. Imagem: YouTube/Reprodução.
José Gabriel Espinoza, Ministro da Economia da Bolívia, afirmou na última sexta-feira (10) estar trabalhando e avaliando a possibilidade de incluir a stablecoin USDT no sistema de pagamentos boliviano.
O país passa por uma forte crise econômica e, desde 2025, tanto a população quanto o próprio governo olham para as criptomoedas como uma saída.
Um dos principais exemplos é a precificação de produtos em USDT ao invés de dólar. Isso porque o Banco Central da Bolívia mantinha uma política de câmbio fixo, mas o dólar paralelo era negociado muito acima desse patamar.
No mês passado, o governo boliviano abandonou o câmbio fixo após 15 anos, aumentando o estresse econômico.
Em suma, a Bolívia passou por um crescimento econômico devido às exportações de gás natural no início dos anos 2000. No entanto, devido a queda de produção e expansão de programas sociais do governo de Evo Morales, o país entrou em uma forte crise econômica.
Dentre as consequências aparecem um governo sem dólares e uma população sem acesso a combustíveis em postos de abastecimento.
Agora, o novo governo busca estabilizar a economia.
Em vídeo publicado na última sexta-feira (10), o Ministro da Economia boliviano José Gabriel Espinoza fala até mesmo em adotar a stablecoin USDT em sua economia.
“O que temos hoje é, basicamente, a revogação de uma proibição, mas ainda não existe uma regulamentação mais ampla sobre o tema. Isso foi feito na gestão do governo anterior, basicamente por desespero. Eles tentaram encontrar no USDT uma alternativa ao dólar e acabaram desorganizando ainda mais o mercado. Estamos trabalhando e avaliando tecnicamente a possibilidade, por exemplo, de incluir o USDT no sistema de pagamentos boliviano, para circular como mais uma moeda, assim como o dólar e o boliviano.”
Seguindo, Espinoza aponta que a adoção do USDT precisa ser avaliada sobre vários aspectos.
Como exemplo, o ministro nota que a Bolívia está na lista cinza do GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional). Ou seja, o país possui falhas em seus sistemas de combate à lavagem de dinheiro e outros crimes.
“Mais um dos problemas herdados do passado”, comentou Espinoza, adicionando que as criptomoedas precisam ser bem reguladas para não acabar servindo de instrumento para criminosos.
Em outro trecho, o economista também faz uma distinção entre o Bitcoin e o USDT, explicando ao público que se tratam de dois modelos diferentes. Isso porque o Bitcoin possui uma grande volatilidade, já o USDT é atrelado ao valor do dólar americano.
Há cerca de um ano, o Banco Central da Bolívia destacou que a negociação de criptomoedas havia crescido 630% no país. No entanto, o órgão não publicou mais relatórios sobre o tema desde então.