WEB 3.0

Em meados de 2004 começamos a ouvir o termo web 2.0 e o que este novo conceito significaria para internet, ela trazia recursos de ajax que permitia os novos sites terem conteúdo atualizado de forma dinâmica e tinha como pilar permitir que os próprios usuários produzissem conteúdo, exemplos disso foi o orkut, myspace, facebook e tantos outros.

Antes, na web 1.0, os sites eram estáticos e na maioria das vezes sem nenhum tipo de interação com os usuários, o controle das páginas ficava 100% na mão dos chamados “web master”, qualquer nova informação que precisasse ser acrescida na página deveria passar pela mão dele, o conhecimento em html obviamente era necessário.

Fazendo um resumo entre as principais diferenças entre a web1.0 e web2.0 podemos destacar:

  • Web 2.0 apresenta alterações cumulativas que ocorreram na Internet desde a Web 1.0;
  • A Web 2.0 é dinâmica, enquanto a Web 1.0 é estática;
  • A Web 1.0 era principalmente para navegação de conteúdo, enquanto a Web 2.0 permite mais tarefas e interação dos usuários;
  • O fluxo de informações na Web 1.0 é linear, na Web 2.0 não;
Web
Funcionamento web1.0 e web2.0

 

Pois bem, os sites da antiga web1.0 acabaram perdendo relevância e quem não evoluiu para a nova versão acabou deixando de existir, sites de notícias estáticos perderam lugar para portais de conteúdo com atualizações em tempo real; enciclopédias perderam lugar para wikis, fóruns de discussão perderam espaço para as redes sociais e a febre da produção de conteúdo começou, centenas de milhares de pessoas se tornaram produtores de conteúdo através de blogs, podcast e vídeos.

A internet deixou de ser um local de leitura e passou a ser um local para escrita, “marcas” viraram comunidades, o conceito de cliente e servidor deu lugar ao peer to peer, dados proprietários passaram a ser dados compartilhados. Alguns exemplos conhecidos você pode ver na imagem abaixo:

WEB1.0 vs WEB2.0. Imagem: Tim lee

Na web2.0 qualquer pessoa pode produzir “qualquer” tipo de conteúdo na web e monetizar isso, youtubers, bloggers, são apenas alguns exemplos. Neste contexto existe um pequeno problema que afronta esses produtores, a centralização.

Para produzir conteúdo na web os usuários usam serviços de gigantes de tecnologia como youtube, facebook e diversos outros, ao utilizar aplicações dessas empresas é necessário aceitar um termo de uso que quase ninguém lê, e é justamente aí que começa o impasse.

Problemas da Web 2.0

Falar sobre problemas de centralização na produção de conteúdo envolve dezenas de assuntos que precisam ser tratados separadamente devido a complexidade de cada um. Para tentar resumir alguns deles podemos citar os mais conhecidos abaixo:

  • Monetização: A maior parte dos lucros do conteúdo fica com a empresa onde o conteúdo está, isso é, o usuário produz um vídeo, gasta horas com edição, vê anúncios em seu vídeo mas recebe apenas uma pequena parte do valor.
  • Falta de Privacidade: Seus dados não são seus, eles são vendidos como forma de informação para publicidade online. Você faz uma pesquisa sobre um assunto qualquer no buscador e 30 segundos depois passa a receber spam em qualquer outro site que visitar.
  • Termos de uso insanos: Você é obrigado a aceitar termos de uso grotescos que te fazem concordar com as coisas mais insanas possíveis, como por exemplo, um sistema operacional muito conhecido que já vem com um key logger de fábrica ou um sistema de mensagens instantâneas popular que diz ter criptografia ponto a ponto mas faz leitura de todas suas conversas em busca de te vender publicidade.
  • Manipulação: Redes sociais criam bolhas e fazem com que as pessoas só vejam aquilo que o site quer que elas vejam, assim, eles manipulam a opinião popular para o que quer que seja, politica, sexualidade, religião, e qualquer outro assunto que eles acham que devam interferir e inferir a opinião deles.
  • Monopólio: Controle absoluto na mão de meia dúzia de pessoas (Vale do Silício) que acham que o resto do mundo é obrigado a aceitar suas regras nonsense sobre tudo. Isso é, se você tem uma página em uma rede social e o CEO decidir que não quer ela mais lá, ele vai inventar algum motivo para remove-la do ar.
  • Diálogo unilateral: Aqui vale um pouco do monopólio, imagine a situação acima onde você perdeu uma página sem a menor explicação, tente dialogar com a empresa em busca de respostas ou explicações. Spoiler: Ninguém vai conversar com você.

Enfim, falar dos problemas da web centralizada provavelmente daria pra escrever uma trilogia de livros com 900 páginas cada um. Recentemente um desses casos ganhou destaque midiatico devido a um problema no facebook. O problema ? bem, básicamente o facebook vendia vazou informações dos usuários para outras empresas. SURPRESAMENTE eu fico indignado como que alguém fica surpreso com isso! afinal, é de conhecimento geral que “se você não paga por um produtovocê é o produto”.

Facebook Vaza Dados
Vazamento de dados Facebook. Imagem: Kaspersky

Blockchain está sendo utilizada para construção de softwares que visam resolver os problemas conhecidos da web2.0, no novo conceito, o conteúdo é verdadeiramente descentralizado, sem nenhum tipo de monopólio e o controle fica na mãos dos usuários.

Com vocês, a WEB3.0

Eu sou profissional de TI e atuo neste mercado por mais de 15 anos, sou apaixonado por tudo que é tecnologia, vi a web2.0 nascendo e ela me deixou momentaneamente fascinado, durante anos sempre pesquisei sobre a próxima geração da web, ou a próxima revolução industrial  e encontrei teorias sobre a web que não me convenciam muito.

Existem diversos conceitos sobre a web3.0 e o conceito dela baseado em blockchain é o mais interessante e tem ganhado cada dia mais popularidade. Embora não seja ainda um conceito final e universalmente aceito por toda comunidade nós  vamos tratar neste artigo como ela funciona e qual sua premissa.

O termo “Web 2.0” foi cunhado em 2003 por Dale Dougherty e se tornou muito popular em 2004, ela levou mais de 10 anos para fazer transição da Web 1.0. Se a próxima grande mudança acontecesse no mesmo espaço de tempo, a web 3.0 deveria começar aparecer em 2015, bom, está acontecendo na data prevista! Antes de focar na web3.0 é necessário falar um pouco da Blockchain.

Blockchain: Tecnologia descentralizada e disrupção

Em termos simples, a blockchain pode ser descrita como um livro de transações somente para gravação.

Isso significa que o “livro” pode ser gravado com novas informações, mas as informações anteriores, armazenadas em blocos, não podem ser editadas, ajustadas ou alteradas. Isso é possível devido a criptografia necessária para vincular o conteúdo de um novo bloco a cada bloco anterior, de modo que qualquer alteração no conteúdo de um bloco anterior na cadeia invalidaria os dados em todos os blocos após ele.

BlockchainA blockchain é orientada por consenso, isso é, um grande número de computadores está conectado à rede. Para reduzir a capacidade de um hacker adicionar transações maliciosas na rede, as pessoas conectadas a blockchain utilizam seu poder computacional para solucionar uma prova matemática. Os resultados são compartilhados com todos os computadores da rede. Os computadores ou nós conectados a essa rede devem concordar com a solução, daí o termo “consenso”.

Consenso e descentralização tornam a blockchain a tecnologia ideal para criar produtos que não são controlados por apenas uma empresa, na blockchain, qualquer pessoa pode utilizar seu próprio computador para fornecer serviços, isso é, se você utilizar um site de vídeos baseado em blockchain, o vídeo será carregado de um computador da China ou Canadá, ao invés de ser carregado dos servidores do youtube.

A blockchain está criando uma geração disruptiva de aplicativos, serviços e infraestrutura que está ganhando cada vez mais mercado e vários entusiastas de blockchain e criptoeconomia estão chamando isso de Web 3.0. O conceito é criar todos estes serviços baseados em blockchain e logo, descentralizados,  retirando das mãos de grandes empresas famintas por lucros o poder sobre dados dos usuários.

A Web 2.0 ainda domina o mundo, mas parece que as coisas estão mudando, quer ver ?

Veja essa imagem onde comparamos alguns serviços da web1.0, web2.0 e a chamada web3.0:

WEB1 vs WEB2 vs WEB3O mercado de criptomoedas atualmente conta com quase 4 mil moedas e mais de 900 baseadas em dAPPS, embora esteja no inicio, a capitalização de mercado já ultrapassou 800Bi, cada moeda, cada serviço e aplicativo quer substituir um serviço atual da web 2.0. Os números evidenciam como o mercado está crescendo a ritmo acelerado e ignorar isso é uma coisa inimaginável.

Sabendo disso, é importande destacar os serviços/aplicativos descentralizados e entender como eles funcionam.

WEB 3.0

O conceito da web3.0 é a descentralização de tudo, todos os serviços serão mantidos e governados pelos próprios usuário que poderão ser recompensas com tokens ou criptomoedas ao colaborarem com o consenso através de computação voluntária.

A transição para esse sistema é motivada por uma infraestrutura mais confiável, anti-corrupção e anti-censura, obviamente que isso levará tempo e é inevitável que aconteça de forma complexa e conturbada, as gigantes de tecnologia estão incomodadas e podem fazer de tudo para barrar esse avanço. Mas, e revolução já começou e podemos listar alguns serviços abaixo, (considere rever a imagem acima).

NAVEGADORES WEB 3.0

Os navegadores da web 3.0 permitem navegação anônima e garante que os usuários tenha controle sobre os dados que geram na internet, dessa forma, as pessoas não vão ficar recebendo anúncios indesejados o tempo inteiro baseado no que ela anda fazendo ao navegar na internet. Alguns exemplos de navegadores são o Brave e o BlockStack.

Vídeo do Brave (Em inglês)

Serviços de ARMAZENAMENTO  baseado em Blockchain

O mercado de armazenamento de dados em nuvem é giante e conta com grandes concorrentes, os custos são altos no entento e a falta de privacidade é um dos pontos que levam várias pesoas a não contratar esse tipo de armazenamento, serviços de armazenamento baseados em blockchain permitem que os arquivos sejam distribuídos em qualquer computador do planeta a um custo insignificativo com centenas de vezes mais segurança devido a criptografia da blockchain. Um exemplo popular é a Siacoin ou Filecoin.

Apresentação Filecoin

COMUNICAÇÃO WEB 3.0

Problemas envolvendo quebra de sigilo em comunicação por meio dos atuais aplicativos são comuns, embora tenha mais de 10 anos, somente nos últimos dois é que os serviços de comunicação implementaram criptografia ponta a ponta, mesmo assim, qualquer pessoas que saiba usar o google pode fazer uma pesquisa rápida e encontrar dezenas de formas prontas e aplicativos que permitem invadir “vigiar o celular da namorada” ou do filho.

Então, se existem esses serviços prontos feitos por terceiros, imagina o que as empresas centralizadas criadoras dos aplicativos não podem fazer ? Quando elas falam que não possuem o acesso ou que não conseguem ver, é apenas uma atitude covarde que subestima a inteligência de mais de 1 bilhão de pessoas usuárias desses aplicativos em uma tentativa estúpida e arrogante de tentar passar a imagem de que não tem o acesso. Mas lembre-se, quando o serviço é grátis, o produto é você !

Existem dezenas de estudos que mostram como essa indústria suja estuda seus usuários como ratos de laboratórios. Eu não pretendo citar tudo aqui porque seria possível escrever mais uma trilogia de livros dessa vez com duas mil páginas cada um.

Um bom exemplo que posso citar é um caso antigo de mineração de dados que resultou na descoberta de uma gravidez de uma adolescente antes mesmo dos próprios pais, outro caso foi uma mineração de dados que estudava usuários online em períodos noturnos e começava oferecer crédito em banco. A justificativa ? “se um usuário está no whatsapp a noite inteira e não consegue dormir, provavelmente é problema financeiro.”

A solução para este problema apresentado pela WEB3.0 novamente é a descentralização, nenhum dado armazenado em um local centralizado e conexão ponto a ponto, isso é, para que eu consiga conversar com um contato meu, uma conexão direta com ele será feita através de criptografia, isso evitaria que qualquer empresa tivesse acesso as minhas mensagens.

Outra vantagem do serviço de comunicação baseado em blockchain é que nenhum governo poderia interromper o aplicativo, afinal, não existiria uma entidade central com servidores que pudessem ser derrubados, como foi o caso da justiça brasileira bloqueando o whatsapp no Brasil em 2017.

Os aplicativos Akasha e Status são focados em comunicação e baseados em blockchain.

Status

SOCIAL

Eu costumo manter minhas redes sociais com o mínimo de informações possível, não fui sempre assim, mas, conheci os perigos da internet tempos atrás, os termos de uso das redes sociais estão lá mas ninguem lê, nós somos os produtos das redes sociais, nós compartilhamos e damos detalhes de tudo que fazemos e pensamos, damos isso de mão beijada e as empresas aproveitam isso para enfiar propagandas e opiniões em nossa timeline ou email.

escandalo recente do facebook é apenas a ponta do iceberg, todo ser humano em sã consciência valoriza a liberdade de expressão, compartilhar felicidade e até tristezas é comum nas redes sociais, quando isso é usado contra nós mesmos a coisa muda. O Facebook é apenas mais um dos que usam nossos dados para mineração de informações.

Essas informações são usadas para manipulação de opinião pública, e as empresas podem a qualquer momento censurar algum conteúdo por um mero capricho para benefício de qualquer corporação ou agência governamental.

Na web 3.0 as redes sociais não terão um controle central e as informações não poderão ser mineradas pois estarão protegidas por criptografia, o conteúdo é do próprio usuário, então, se uma pessoa cria conteúdo construtivo é ela é quem vai ser monetizada pelo conteúdo e não a empresa por trás da plataforma. Já parou pra pensar se o facebook dividisse a receita com os usuários ?

A Steemit é um exemplo de rede social que garante privacidade aos usuários, ela monetiza seus usuários pelo conteúdo postado e teoricamente não pode sofrer restrições do governo, quem controla a plataforma são os próprios usuários.

Como funciona Steemit

ENTRETENIMENTO

A indústria de entretenimento passa por problemas recorrentes, primeiro, quando se fala em conteúdo de grandes empresas, os custos para consumo são altissimos e isso impede o acesso a uma grande parte da população.

Quando o assunto é produção de conteúdo por usuários, os problemas são piores, existe o monopólio e a centralização que fica com todos os lucros do conteúdo gerado pelos usuários. As pessoas criam conteúdo, fazem disso sua profissão mas recebem poucos lucros, o mesmo acontece na publicidade em sites.

A descentralização do entretenimento na web3.0 oferece uma solução mais interessante onde os usuários são proprietários e únicos beneficiários de seu conteúdo. A Web 3.0 possibilita a remoção de intermediários e permite que anunciantes, espectadores e criadores de conteúdo se envolvam diretamente entre si.

Um exemplo de serviço assim é o paratii.video, uma startup brasileira que utiliza Blockchain  como plataforma de entretenimento e promete conectar diretamente quem consome vídeos, quem trabalha com publicações e quem produz vídeos.

Você percebeu ? A paratii é brasileira e está revolucionando a indústria de entretemineto no mundo, dá um certo orgulho 😀

Conclusão

A revolução está acontecendo em rítmo acelerado, os aplicativos e serviços baseados em blockchain estão ganhando cada vez mais mercado e popularidade, adotar essa tecnologia no ínicio é contribuir e fazer parte da revolução. De todas teorias sobre a WEB 3.0 que existem a que se embasa no uso da blockchain é a que tem ganhado mais aprovações pela comunidade.


FONTES:

Why the net giants are worried about the Web 3.0 de Matteo Gianpietro Zago

Difference Between Web 1.0 and Web 2.0 | Difference Between

IBM