Chainalysis estima que ‘ataques de chave-inglesa’ contra investidores de criptomoedas já resultaram em perdas de US$ 30 milhões em 2026

Brasil aparece como um dos destaques no relatório, ao lado de França, EUA, Canadá, Tailândia e outros países

A Chainalysis, famosa empresa de análise de dados on-chain, afirma que os chamados ‘ataques de chave-inglesa’ contra investidores de criptomoedas resultaram em perdas de US$ 30 milhões no primeiro semestre de 2026. Como comparação, os prejuízos chegaram a US$ 58 milhões em 2025.

Em suma, o nome ‘ataque de chave-inglesa’ sugere que nada adianta um investidor ter os melhores métodos de segurança digital para suas criptomoedas caso alguém lhe ameace fisicamente com uma ferramenta barata.

Isso inclui, por exemplo, sequestros, invasões de domicílio, tomada de reféns e outros tipos de ataques violentos.

2026 se encaminha para se tornar o pior ano de ataques de chave-inglesa

Em comparação com os ataques por hackers (US$ 3,4 bilhões em 2025), golpes (US$ 17 bilhões) e ransomware (US$ 820 milhões), os ataques de chave-inglesa contra investidores de criptomoedas (US$ 30 milhões) ainda são pequenos. No entanto, devido à violência praticada pelos criminosos e pelo crescente número de casos, a Chainalysis publicou um relatório sobre esses casos.

“2026 já está se tornando um ano recorde para ataques violentos envolvendo criptomoedas. Estimamos que criminosos tenham conseguido extrair mais de US$ 30 milhões de detentores de criptomoedas apenas neste ano.”

Criminosos já roubaram US$ 30 milhões com ataques físicos contra investidores de criptomoedas em 2026, que se encaminha para se tornar o pior ano já registrado nestes casos. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Assim como em 2024 e 2025, mais da metade desses ataques são sequestros em 2026. Na sequência aparecem invasão domiciliar (37%), outros ataques violentos (7%) e tomada de reféns (4%).

“As invasões domiciliares aumentaram ano a ano, passando de apenas 14% em 2025 para 37% até a metade de 2026.”

Relatório destaca mudança de comportamento dos ataques de chave-inglesa contra investidores de criptomoedas nos últimos anos. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Brasil aparece como um dos destaques do relatório, mas a atenção é voltada para a França

Com 30 incidentes conhecidos publicamente no primeiro semestre de 2026, a França continua aparecendo como o país mais violento para investidores de criptomoedas. Na sequência, a Chainalysis também dá destaque para EUA, Brasil e Tailândia.

Embora França e EUA liderem o número de casos de invasão domiciliar e sequestro, Brasil também aparece na lista ao lado de Canadá, Filipinas e Suécia. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Quanto à França, o relatório aponta que o repasse de dados por uma funcionária da Receita Federal francesa em 2024 seria a causa mais provável do aumento de casos no país nos últimos anos. Além disso, o vazamento de dados da Waltio, que prestava serviços de declarações de criptomoedas, seria outro fator.

“Nos países com dados suficientes sobre os incidentes, a grande maioria das vítimas são residentes locais, e não visitantes ou turistas. Na Suécia, 100% das vítimas com status de residência conhecido eram moradores locais. Na França, 93% eram residentes locais. No Brasil, 82%. Nos Estados Unidos, 77%.”

A maioria das vítimas são residentes locais em todos os países analisados, com exceção dos Países Baixos. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Segundo a Chainalysis, isso sugere um nível de reconhecimento e planejamento, seja por monitoramento das redes sociais das vítimas, quanto por dados on-chain e/ou informações vazadas por terceiros.

Relatório destaca três níveis de criminosos

Conforme transações de criptomoedas deixam um rastro, isso impede que criminosos movam os ativos roubados diretamente para corretoras caso não queiram ser pegos. Com base nisso, a Chainalysis destaca que existem três tipos de criminosos.

Os primeiros seriam amadores, com pouco conhecimento sobre criptomoedas.

“Após obterem os fundos, eles os enviam diretamente para corretoras centralizadas, sem qualquer tentativa evidente de ocultação no caminho. Para as autoridades, esses casos são geralmente os mais fáceis de investigar. As equipes de conformidade das corretoras podem congelar os fundos, e ordens judiciais podem identificar rapidamente os titulares das contas que receberam os valores roubados.”

Neste primeiro exemplo, criminosos não possuem conhecimento sobre criptomoedas e são facilmente descobertos. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

No segundo exemplo, estão criminosos que possuem um conhecimento intermediário, podendo passar as criptomoedas roubadas por corretoras descentralizadas, bridges e outras ferramentas antes de tentar convertê-las.

“Eles entendem que corretoras centralizadas representam pontos de controle com programas avançados de conformidade e exigências de identificação de clientes (KYC), e tentam evitar ou atrasar a interação com elas.”

Criminosos mais experientes passam as moedas por diversos serviços tentando quebrar o rastro das transações. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Finalizando, o relatório aponta que o mais preocupante seriam criminosos não somente com amplo conhecimento técnico, mas também ligados a redes criminosas mais amplas. Ou seja, organizações que possuem especialistas para fazer esse trabalho.

“Em um caso documentado, fundos roubados em um ataque violento passaram por uma corretora instantânea e depois por um serviço OTC suspeito de lavagem de dinheiro, que anteriormente havia interagido com serviços de lavagem ligados a cartéis, carteiras associadas ao snowboarder olímpico acusado de tráfico de cocaína Ryan Wedding, grupos de financiamento ao terrorismo e redes de garantia e lavagem de dinheiro do Sudeste Asiático.”

Relatório aponta que criminosos ligados a casos de sequestro e outros tipos de ataques físicos contra investidores de criptomoedas podem ter participação em grupos maiores. Fonte: Chainalysis/Reprodução.

Por fim, a Chainalysis recomenda que investidores não divulguem que possuem criptomoedas, seja online ou pessoalmente. Quanto às autoridades, os especialistas notam que o rastro das transações pode auxiliar nas investigações.

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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