CPI da Íris foca na Worldcoin com especialista alertando para riscos de dados dos brasileiros escaneados

Comissão em São Paulo debate fragilidades na proteção biométrica do projeto

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Íris, instalada na Câmara Municipal de São Paulo, avançou nas investigações sobre o projeto Worldcoin na última terça-feira (10).

A iniciativa, gerenciada pela empresa Tools for Humanity, escaneia a íris de cidadãos em troca de recompensas financeiras, o que gerou a investigação por parte das autoridades paulistanas.

Assim, a advogada e especialista em proteção de dados, Mariel Trabulse, abriu os depoimentos com alertas contundentes sobre a sensibilidade dessas informações. “Os dados sensíveis, como são os dados biométricos — íris e reconhecimento facial — são protegidos pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados)”, afirmou a especialista, destacando a necessidade urgente de uma proteção reforçada.

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Transferência internacional e o controle da Worldcoin

Questionada pela presidente da CPI, a vereadora Janaina Paschoal (PP), sobre os riscos de enviar as informações da Worldcoin para o exterior, Mariel explicou os entraves legais. A remessa dos dados para a sede da World Foundation, nas Ilhas Cayman, esbarra na falta de garantias exigidas pela legislação brasileira.

A especialista também citou investigações conduzidas na Alemanha, revelando que a fragmentação do código da íris em vários servidores não impede a sua reconstituição.

Como as entidades custodiantes na Europa estão subordinadas à fundação do projeto, “a empresa poderia solicitar a devolução desses fragmentos e recompor o código integral”, alertou Mariel.

Outro ponto crítico levantado na comissão foi a falta de transparência da Worldcoin com os participantes. “O que aconteceria depois não era plenamente esclarecido. Isso pode caracterizar um consentimento dado sem pleno conhecimento do processo”, ressaltou a advogada.

Busca por lucro chama atenção da CPI

Em defesa do ecossistema da Worldcoin, a líder de Políticas Públicas da Tools for Humanity no Brasil, Anna Carvalhido, confirmou que os operadores das famosas esferas cromadas são remunerados com base no volume de registros e na qualidade do serviço.

Ela negou, contudo, que os usuários paguem para participar e admitiu que a companhia ainda não registra lucros financeiros na atual fase de expansão.

No entanto, a representante projetou ganhos comerciais para a startup no longo prazo. “A intenção de lucro deve vir mais adiante, principalmente por meio de parcerias com empresas que queiram soluções para diferenciar humanos de robôs na internet“, detalhou Anna.

Ao encerrar a sessão, a vereadora Janaina Paschoal avaliou as falas e descartou o suposto caráter social da Worldcoin. “O depoimento da representante da empresa não trouxe grandes esclarecimentos, mas confirmou que existe uma perspectiva de lucro no futuro e que o número de pessoas escaneadas pode impactar esse resultado. Ficou evidente que o produto desenvolvido pode ser oferecido à iniciativa privada, o que demonstra que não se trata de uma atividade de caráter filantrópico”, concluiu a parlamentar.

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Bruno Costa
Bruno Costahttps://bruno-costa.com
Bruno Costa ingressou no jornalismo cripto quando o DeFi ainda era um experimento de nicho e, desde então, tornou-se uma das principais vozes brasileiras na cobertura de finanças descentralizadas e ativos digitais. Atualmente atua como Senior Content Manager na Starkware.co, uma empresa de PR e marketing focada em DeFi, NFTs e crescimento de comunidades Web3. Seu trabalho frequentemente explora como as economias de tokens podem impulsionar a inclusão financeira no país, conectando a adoção de blockchain à realidade local. Ele é Certified Bitcoin Professional (CBP), credenciado pelo CryptoCurrency Certification Consortium (C4). Graduado em Jornalismo pela Universidade Europeia, Bruno aprofundou sua expertise com formações como o curso DAO Fundamentals (EDU Trainings) e o Web3 Solidity Bootcamp (Metana). Sua cobertura inclui adoção de DeFi em mercados emergentes, cultura NFT na América Latina e análises de UX em aplicações descentralizadas. Entre suas principais competências estão reportagem investigativa, análise do mercado cripto, construção de narrativa e estratégia de conteúdo. No Brasil, o público o conhece por portais como Cointimes.com.br, onde é colaborador regular, além de suas reportagens investigativas que revelaram golpes no setor DeFi. Uma de suas séries chegou a contribuir para alertas regulatórios e maior fiscalização por parte da CVM. Seu guia sobre stablecoins alcançou mais de 50 mil leitores e foi referenciado por três grupos acadêmicos de pesquisa, enquanto sua consultoria para uma carteira DeFi ajudou a redesenhar o conteúdo de onboarding e atraiu mais de 10 mil novos usuários. Bruno já foi citado pelo Valor Econômico, fez coberturas presenciais na São Paulo NFT Expo e no Rio Blockchain Meetup, e participou de grandes eventos como a SP Tech Week e a Blockchain Conference Brasil, onde discutiu temas sobre regulação do DeFi, UX e inovação. Curioso e criativo, com um forte foco em conectar tecnologia e cultura, ele costuma lembrar colegas e leitores de que “Journalism should empower readers with clarity in a world full of crypto hype and misinformation.” Disclaimer: Todo o conteúdo aqui apresentado diz respeito a temas de criptomoedas, blockchain e Web3 e possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento financeiro, de investimento ou jurídico. As análises refletem a experiência e a pesquisa pessoal do autor. O nome do autor é utilizado como pseudônimo. Sempre faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões no ecossistema cripto.

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