Desenvolvedor do Bitcoin recomenda que investidores evitem realizar transações durante ativação do BIP-110

Comunidade do Bitcoin segue discutindo questões ligadas a spam de dados arbitrários na rede

Jon Atack, desenvolvedor do Bitcoin Core, está recomendando que investidores evitem fazer transações de BTC após a ativação do BIP-110. A atualização, apoiada por uma pequena parte da rede, deve acontecer no próximo mês.

Em suma, Atack acredita que a ativação do BIP-110 pode resultar em reorganizações de blocos. Nos comentários do tuíte abaixo, o desenvolvedor também tira dúvidas sobre fechamentos de canais na Lightning Network e outras soluções.

“Evite fazer transações durante a segunda semana de agosto até a poeira baixar e o risco de reorg diminuir (a menos que eu esteja deixando passar algo). Vou rodar tanto a minha versão do Core quanto o Knots 110 para observar, mantendo os sats separados e fora de circulação.”

Em outro comentário, Atack fala em “blocos lentos, profundidade e frequência de reorgs e blocos órfãos, sinalização do hashrate, taxas e limpeza da mempool, divergências de PoW no chaintip, anúncios de exchanges e custodiantes”.

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O que é o BIP-110?

Em resumo, o BIP-110 é apresentado como uma solução temporária para limitar o tamanho dos dados arbitrários que podem ser inseridos no Bitcoin. A proposta ganhou força após o Bitcoin Core v30 aumentar o limite do -datacarriersize de 83 para 100.000 bytes, bem como permitir múltiplas saídas de OP_RETURN.

Dentre as mudanças do BIP-110 estariam a invalidação de transações superiores a 34 bytes (exceto OP_RETURN, que teria limite de 83 bytes), a invalidação de dados muito grandes dentro de scripts ou witness, o mesmo com scripts Taproot que usem condicionais como OP_IF ou OP_NOTIF, dentre outras.

As mudanças teriam duração de um ano (52.416 blocos), o que significa que possíveis bitcoins bloqueados seriam liberados após este período.

Conforme alguns endereços serão impedidos de realizar transações, o texto também aponta haver uma exceção para essas regras, revelando que todos os UTXOs criados antes da ativação do BIP podem ser gastos normalmente.

“As novas regras se aplicam apenas a UTXOs criados na altura da ativação ou depois. Quando o softfork expira, UTXOs de todas as alturas voltam a ficar sem restrições.”

Nas redes sociais, usuários do Bitcoin Knots demonstram forte apoio à proposta. No entanto, monitores mostram uma sinalização pequena por parte dos mineradores.

Poucos mineradores estão sinalizando apoio ao BIP-110 neste momento. Fonte: Bip110monitor/Reprodução.

Nas redes sociais, Luke Dashjr, outro desenvolvedor do Bitcoin, aponta que “mineradores tentando bloquear o BIP110 estariam cometendo suicídio para seus próprios negócios”.

“Eles não deixariam à comunidade outra escolha a não ser mudar para outro algoritmo de prova de trabalho. E com que objetivo? Permitir que agentes mal-intencionados forcem CSAM sobre todos os bitcoiners? Não vejo isso acontecendo. É só FUD.”

Aos que acompanham a briga entre Core e Knots, os argumentos centrais são os mesmos.

Críticos afirmam que BIP-110 pode trazer mais problemas que soluções

Embora o BIP-110 se apresente como uma solução contra o spam de dados arbitrários no Bitcoin, críticos da proposta alegam que ela não resolverá esse problema, mas criará outros.

Um dos artigos mais completos sobre o tema foi escrito pelo perfil da Farside Investors na última segunda-feira (29).

“Como o BIP-110 altera regras do protocolo do Bitcoin, existe o risco de uma divisão temporária ou permanente da cadeia e do surgimento de uma nova moeda. Diferentemente da maioria dos soft forks bem-sucedidos do passado do Bitcoin, o BIP-110 é controverso e fortemente contestado, elevando o risco de um chainsplit.”

Seguindo, o texto aponta que o BIP-110 pode “quebrar carteiras” que oferecem suporte a miniscripts. Ainda que usuários possam receber fundos em endereços usando tapscript com OP_IF, por exemplo, eles não poderão gastá-los posteriormente.

Outro ponto seria a proibição de envio de bitcoins para endereços P2PK. No entanto, conforme as chaves públicas desses endereços estão sempre expostas, seu uso é quase nulo nos dias atuais.

“Na história do Bitcoin, uma proibição desse tipo nunca aconteceu antes, o que torna o BIP-110 altamente sem precedentes.”

Citando outras questões, os analistas da Farside concluem que a forma mais eficaz de combater o spam seria “por meios econômicos” e que os defensores do BIP-110 deveriam “combater o spam tornando o Bitcoin um dinheiro melhor”.

Como comparação, lembram o que aconteceu com a “Guerra do Tamanho dos Blocos” que deu origem ao Bitcoin Cash (BCH) e outros clones do Bitcoin após 2017.

Por fim, mais discussões sobre o assunto, contendo visões dos dois lados, podem ser encontradas nas redes sociais.

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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