Os ETFs de Bitcoin tiveram dois dias de grandes saídas nesta semana, perdendo US$ 1,14 bilhão na terça e outros US$ 754 milhões nesta quarta-feira (26). Essas foram as maiores saídas desde que foram lançados em janeiro de 2024.
Já o índice de medo e ganância do Bitcoin chegou ao seu menor nível desde junho de 2022. Embora isso pareça preocupante, tal métrica aponta para excessos do mercado e pode indicar um bom momento de compra.
Negociado a US$ 86.250 no momento desta redação, o Bitcoin chegou a ser negociado próximo aos US$ 82.000 no final da tarde de ontem.
ETFs pressionam Bitcoin
Frequentemente associados a alta do Bitcoin, os ETFs viraram os vilões nesta semana com suas saídas recordes, ajudando a derrubar o preço da criptomoeda. O movimento acelerou na segunda-feira (24), mas a tendência já era perceptível desde o início do mês.
Os dois maiores, IBIT e FBTC, foram os responsáveis pelas maiores saídas. Enquanto o ETF da BlackRock processou US$ 418 milhões em retiradas nesta quarta-feira (26), o ETF da Fidelity processou outros US$ 345 milhões na terça-feira (25) e US$ 247 milhões na segunda.
Como pode ser visto na imagem acima, o movimento é generalizado e todas as gestoras enfrentam a mesma situação.
Eric Balchunas, especialista da Bloomberg em ETFs, comentou que os investidores estão comprando os ETFs SPY e QQQ, que refletem o S&P 500 e o Nasdaq 100, respectivamente, aproveitando a queda do mercado tradicional que também opera em baixa.
Em relação ao Bitcoin, o analista se mostrou otimista mesmo com as saídas recordes.
“Os ETFs de Bitcoin sentindo a pressão, com quase US$ 1 bilhão saindo ontem e US$ 1,8 bilhão na semana”, escreveu Balchunas.
“Por outro lado, isso é menos de 2% dos ativos, troco de bala considerando a brutalidade da queda — mais de 98% do dinheiro segue em HODLing. Como eu disse, vai ser dois passos para frente, um para trás. Acostume-se.”
Índice de medo e ganância do Bitcoin chega ao seu menor nível dos últimos três anos
Outro dado importante para os investidores é que o índice de medo e ganância chegou a marca de 10 de 100, apontando para “medo extremo”. Esse é o menor nível desde junho de 2022, ultrapassando até mesmo a semana da falência da FTX.
No entanto, tal índice é frequentemente usado para indicar excessos, ou seja, um indicador de que o mercado não está pensando racionalmente.
“Medo extremo pode ser um sinal de que os investidores estão preocupados demais. Isso pode representar uma oportunidade de compra”, aponta o site.
Já o índice de medo e ganância do CoinMarketCap, que mostra o sentimento de todo mercado, não somente do Bitcoin, atingiu seu menor nível desde que foi lançado.
O que está por trás da queda do Bitcoin?
Um dos motivos do pânico do mercado foi o hack de R$ 8,2 bilhões da Bybit. Embora já tenha sido resolvido, com a corretora absorvendo as perdas, investidores temem novos ataques do tipo.
De qualquer forma, quem mais está afetando o sentimento do mercado é Donald Trump. Como exemplo, o presidente americano afirmou nesta quarta-feira (26) que pretende taxar produtos importados da União Europeia em 25%.
Embora isso possa gerar um superávit comercial, atrair empresas e gerar empregos nos EUA, as medidas também geram aumento de preços (inflação) e tensões geopolíticas.
Como consequência, pode-se esperar que o Fed continue com juros altos para conter a escalada de preços, além de outros conflitos.
Por fim, quem investe pensando no longo prazo pode ver essa oportunidade para realizar novos aportes. Afinal, a escassez do Bitcoin continua sendo seu maior atrativo.