
21.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião de Chefes de Estado CELAC-África, no Centro de Convenções Ágora. Bogotá - Colômbia. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Em um movimento inédito para o mercado de criptomoedas, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu publicamente a necessidade de regular o uso das moedas digitais descentralizadas como o Bitcoin.
A declaração ocorreu neste sábado (21), durante a X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizada em Bogotá, na Colômbia. O discurso oficial do presidente foi lido aos líderes da região pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Esta é a primeira vez que Lula aborda o tema das criptomoedas de forma tão direta em um fórum internacional, conectando a regulação da tecnologia à segurança pública e à estabilidade geopolítica de todo o continente.
O eixo central do discurso presidencial foi um chamado à união da América Latina e do Caribe contra a polarização e as pressões de potências estrangeiras.
No entanto, o tom subiu quando o texto abordou a ameaça do crime organizado transnacional.
Lula enfatizou que uma região politicamente desarticulada é o cenário perfeito para o fortalecimento das facções criminosas.
Segundo o presidente, para destruir essas organizações, é preciso asfixiar toda a sua cadeia de comando e, principalmente, a sua estrutura financeira em nível global.
Foi neste contexto que o presidente brasileiro cravou a necessidade de regulação do setor cripto. “Esse problema não é só latino-americano, é global. É fundamental conter a fraude, o fluxo de armas que vêm de países ricos, combater a lavagem de dinheiro realizada em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas“, afirmou Lula no texto lido pelo chanceler.
O presidente alertou aos demais chefes de Estado que “ações pontuais geram resultados momentâneos” e que apenas o fortalecimento e a integração das instituições governamentais poderão garantir soluções duradouras contra o crime.
Para ilustrar o endurecimento do Estado contra o crime financeiro e violento, o discurso citou as movimentações internas do Brasil.
Lula destacou o “Projeto de Lei Antifacção”, uma iniciativa recente do seu governo que visa criar novos instrumentos legais para as forças de segurança.
A proposta busca acelerar as investigações da Polícia Federal, asfixiar o braço financeiro das facções — que, como o próprio presidente indicou, utilizam métodos complexos de lavagem de dinheiro e criptoativos — e endurecer a punição para grupos com atuação interestadual e internacional.
Além da segurança pública, o discurso do presidente brasileiro abordou a soberania tecnológica da região, alertando sobre o perigo da “manipulação de algoritmos e a produção de conteúdos falsos por inteligência artificial“, que ameaçam as democracias locais.
Lula também chamou a atenção para o poder econômico do bloco, lembrando que a América Latina possui a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo.
Esses materiais são a base da fabricação de chips, placas de vídeo (essenciais para a mineração de algumas criptomoedas e desenvolvimento de IA), baterias e placas solares.
O presidente encerrou seu recado econômico cobrando que a região pare de exportar apenas matéria-prima bruta. “Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas“, declarou Lula, defendendo que os países latinos tenham acesso a todas as etapas das cadeias de valor tecnológico, desde a extração até o produto final.
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