
Mais de 90 mil tentativas de infecção foram registradas em março. Imagem: Midjourney.
A Kaspersky, empresa de segurança digital, revelou nesta segunda-feira (16) detalhes sobre um malware chamado “GoPix”. A ameaça foi criada por brasileiros para monitorar transações Pix, boletos e criptomoedas.
Os especialistas apontam que o malware está sendo acompanhado desde 2023 e que as detecções estão aumentando a cada ano. Como exemplo, eles citam que 90 mil tentativas de infecção já foram detectadas neste mês de março.
Recentemente, a Kaspersky fez outro alerta sobre o malware Maverick e a SpiderLabs falou sobre o malware Eternidade. Ambas as ameaças têm o mesmo foco: contas bancárias e serviços de criptomoedas.
Uma pesquisa do Datafolha revela que 25 milhões de brasileiros investem em criptomoedas. Somado a isso, o Banco Central aponta que 80% da população brasileira já usou Pix, que movimentou R$ 3 trilhões em outubro de 2025.
Esta rápida digitalização financeira, somada ao pouco interesse em segurança, explica o crescimento dessas ameaças.
A distribuição do malware GoPix está sendo feita por anúncios maliciosos no Google, usando nomes de serviços famosos, como WhatsApp, Chrome e Correios, para atrair o clique da vítima.
Seguindo, a Kaspersky afirma que os criminosos usam sistemas de pontuação de IP para determinar se o visitante é uma potencial vítima ou um bot de análise de segurança. A tática é usada para driblar proteções.
“O GoPix atingiu um nível de sofisticação nunca visto antes em malwares originados no Brasil.”
“Monitoramos essa ameaça desde 2023, ela continua altamente ativa e as detecções aumentam a cada ano: em março de 2026, já foram detectadas 90 mil tentativas de infecção”, escreve Fabio Assolini, chefe das unidades Américas e Europa do Kaspersky GReAT. “A ameaça usa métodos de infecção furtivos e evita a detecção por softwares de segurança, empregando novas técnicas para permanecer operacional.”
Segundo os especialistas, o malware realiza ataques do tipo man-in-the-middle, ou seja, se coloca entre duas partes (vítima e o banco) para interceptar, monitorar e até mesmo alterar dados enviados antes que cheguem ao destino.
O foco são transações Pix, boletos e criptomoedas.
Finalizando, o texto dá destaque para a sofisticação do malware para não ser detectado, incluindo o carregamento de módulos direto na memória, deixando poucos vestígios no disco, bem como o uso de servidores C2 de vida útil muito curta.
Como recomendação de segurança, os especialistas da Kaspersky recomendam que brasileiros evitem clicar em anúncios, usem ferramentas de proteção e lojas oficiais para downloads de aplicativos.
Até o momento, não há informações sobre quais valores os criminosos conseguiram desviar com o malware GoPix.
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