
(Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
O Banco Central do Brasil (BCB) sofre com um problema gerado pela perda de profissionais de sua divisão de tecnologia e uma associação de servidores alertou na quarta-feira (5) para o risco dessa evasão de especialistas em sistemas de transferências instantâneas, o Pix.
A fuga de talentos ganhou o apelido de PixExit em um artigo de alerta feito pela Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil (ANBCB).
“O objetivo do levantamento não é questionar decisões individuais de carreira, mas evidenciar os desafios enfrentados pelo Banco Central para manter, desenvolver e renovar equipes altamente especializadas em áreas estratégicas para o país“, diz o artigo da associação.
Essa migração rumo a outros órgãos públicos retira membros de equipes construtoras de ferramentas de base da economia nacional.
Os profissionais de saída carregam até dezesseis anos de experiência de casa e ocupam cargos de chefia.
Desta forma, as demissões a pedido dos próprios servidores afetam de forma direta a segurança das inovações e a entrega de serviços contínuos para a população.
Os ex-funcionários ajudaram no desenho de soluções utilizadas nas rotinas de compras dos brasileiros.
Parte do grupo participou da programação para leitura de códigos QR e da criação das chaves aleatórias do sistema instantâneo.
Além disso, os servidores conectaram as bases de dados aos aplicativos de bancos por meio de interfaces de comunicação.
O sumiço dessa inteligência acumulada atrasa a criação de novas regras operacionais elaboradas pelo órgão estatal.
As trocas de cargos entre carreiras estatais fazem parte do ciclo de trabalho normal no país, lembrou a ANBCB. Contudo, o panorama muda de figura com o abandono de áreas importantes para a estabilidade do dinheiro no Brasil.
Os analistas pediram exoneração da autoridade monetária após aprovação em provas de concursos de outras pastas governamentais.
A Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU) receberam parte dessa mão de obra qualificada.
Outros servidores preferiram assumir postos na Câmara dos Deputados e na Secretaria da Fazenda de São Paulo.
A ANBCB organizou esses dados para publicar um alerta sobre os desligamentos.
O levantamento destaca os obstáculos da instituição para reter equipes nas frentes de inovações e na segurança cibernética. A entidade de classe afasta qualquer crítica às decisões pessoais dos trabalhadores e mira no déficit do setor de recursos humanos.
Vale lembrar que, em 2022, o desenvolvimento do Pix sofreu com a greve dos servidores do Banco Central. Além disso, a autarquia é a responsável pela regulação do mercado de criptomoedas desde 2025.