“Poderíamos usar Proof-of-Stake desde o início”, diz criador do Ethereum

Na última postagem em seu blog oficial, Vitalik Buterin falou sobre os “caminhos não percorridos” do Ethereum, afirmando que a criptomoeda poderia estar usando o algoritmo Proof-of-Stake (PoS) desde 2017, ou até mesmo desde o início da moeda, caso fossem mais modestos.

Apesar de demonstrar um sistema complexo para o qual estão migrando, a própria fala de Buterin pode ser interpretada como um alerta. Afinal, se o Proof-of-Stake fosse tão bom, o Ethereum já teria sido substituído por outra criptomoeda.

Seguindo, Buterin também aborda uma das maiores críticas do Ethereum, a sua pré-mineração e pré-venda de Ether. Hoje ambas representam mais de 50% da oferta da moeda no mercado, além disso, boa parte destes ETHs foram destinados aos primeiros desenvolvedores.

Proof-of-Stake não será um divisor de águas para o Ethereum

Iniciando seu texto, comenta que o Ethereum migrará para “um sistema complexo, porém muito poderoso”, citando algumas características como confirmações de bloco único, penalizações severas, recompensas previsíveis e suporte à vários validadores.

Contudo, Vitalik Buterin destaca um questionamento próprio sobre esta abordagem, afirmando que poderiam ter usado uma versão mais simples de Proof-of-Stake, caso fossem mais modestos. Seguindo, afirma que isso teria sido uma grande melhoria ao Ethereum.

“Muitos têm a ideia errada de que o Proof-of-Stake (PoS) é inerentemente complexo, mas, na realidade, há muitos algoritmos de PoS que são quase tão simples quanto o Proof-of-Work (PoW) de [Satoshi] Nakamoto”, declarou Vitalik Buterin, fundador do Ethereum.

“O Proof-of-Stake da [criptomoeda] NXT existia desde 2013 e seria um candidato natural; ele teve problemas, mas esses problemas poderiam ter sido facilmente corrigidos, e poderíamos estar usando um Proof-of-Work razoavelmente bem-sucedido desde 2017, ou mesmo desde o início [do Ethereum].”

Tal declaração ascende duvidas sobre a importância da próxima grande atualização do Ethereum, a sua migração para o PoS. Afinal, como destacado pelo próprio Buterin, tal sistema não é novo ou inovador.

Além da NXT nunca ter sido uma grande criptomoeda, os diversos concorrentes do Ethereum ainda estão longe de roubarem seu posto, mesmo que todos (BNB, ADA, SOL, AVAX, e tantas outras) usem alguma variação de Proof-of-Stake.

Portanto, ainda que o Ethereum consiga diminuir suas taxas, é difícil acreditar em grandes mudanças em seu preço por conta da migração. Hoje o valor do Ethereum depende mais do ecossistema ao seu redor, de casos de uso que nem mesmo Buterin imaginou, do que de si mesmo.

Finalizando, Buterin afirma que o Proof-of-Work (PoW) foi fundamental para a expansão do Ethereum. Contudo, nota que uma migração precoce para PoS poderia ter ajudado na adoção das criptomoedas — talvez se esqueceu que tantas outras já usam tal sistema.

“Usar Proof-of-Stake (PoS) desde o início teria sido, na minha opinião, um erro. […] Mas migrar para um PoS mais simples em 2017, ou até mesmo em 2020, poderia ter levado a muito menos danos ambientais (e mentalidade anti-cripto relacionada a isso)”, finalizou Vitalik Buterin.

Pré-mineração do Ethereum

Abordando uma das principais críticas ao Ethereum em seu texto intitulado “caminhos não percorridos”, Vitalik Buterin fala sobre a pré-mineração da criptomoeda e sua atual divisão.

Oferta de Ethereum dividida por participações. Fonte: EtherScan
  • Em preto: Pré-mineração (Ethereum Foundation);
  • Em Azul: Pré-mineração (Venda pública);
  • Em verde: Recompensas da mineração;
  • Em laranja: Recompensas de mineração (uncle blocks);
  • Em roxo: Recompensas de staking (Eth 2).

Como pode ser visto, mais da metade da oferta de Ethereum foi criada antes mesmo da moeda ser lançada e Buterin afirma que eles poderiam ter conduzido isso de outra maneira. Como destaque, usou o Zcash (ZEC) de exemplo, onde 20% das recompensas dos mineradores são destinadas aos desenvolvedores.

Afinal, este é um problema de todas criptomoedas. Embora as pessoas queiram um sistema justo, sem pré-mineração ou taxas extras, é difícil manter bons desenvolvedores sem pagar salários e isso vale até mesmo para o Bitcoin.

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Henrique Kalashnikov
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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