
Polícia estima que equipamentos estão avaliados em mais de R$ 200.000. Imagem: panumas nikhomkhai/Pexels.
Realizando uma operação para combater a receptação de metais provenientes de furtos e roubos, a Polícia Militar de Belo Horizonte encontrou uma fazenda de mineração de Bitcoin escondida em um ferro-velho na capital mineira. Conforme apurado pelo jornal O Tempo, um suspeito foi preso no local.
Embora a mineração não seja ilegal no país, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) constatou que os equipamentos eram alimentados por energia furtada, o famoso gato, no jargão popular.
Somado a isso, o suspeito não soube confirmar a origem das máquinas e não apresentou as notas fiscais das mesmas.
Durante fiscalização realizada pela Polícia Militar e pela Prefeitura de Belo Horizonte na manhã desta sexta-feira (31), as autoridades encontraram indícios de receptação de cobre pelo ferro-velho.
Na sequência, também localizaram uma fazenda de Bitcoin no segundo andar do imóvel, na Rua Bimbarra, região Oeste de Belo Horizonte.
No vídeo abaixo, publicado pelo jornal O Tempo, é possível identificar ao menos 14 ASICs de mineração de Bitcoin em funcionamento, bem como uma instalação de energia elétrica muito bem organizada e um trabalho de isolação acústica para limitar o barulho das ventoinhas de refrigeração. A PM fala em 15 máquinas apreendidas.
“Quando a guarnição foi deslocar para o segundo andar, a gente verificou que o indivíduo ficou bem nervoso e nesse momento, no segundo andar, verificou a fazenda de Bitcoin.”
Embora a Polícia Militar não tenha revelado os detalhes sobre os equipamentos, pode-se constatar que se tratam de máquinas produzidas pela Bitmain, muito provavelmente modelos Antminer S17 ou similares.
As autoridades estimam que os equipamentos, incluindo três servidores, estão avaliados em R$ 200.000. Somado a isso, a Cemig aponta que o furto de energia pode ter causado um prejuízo de R$ 60.000 por mês à companhia.
Um funcionário do ferro-velho de 37 anos, que não teve a sua identidade revelada, não soube explicar a origem dos equipamentos e foi preso em flagrante por furto e receptação. A polícia também registrou um boletim de ocorrência contra um homem e uma mulher, ambos de 31 anos, responsáveis pela empresa.
Agora, as investigações apuram o rastro das criptomoedas mineradas no local. “Possivelmente tem algum tipo de organização criminosa por trás”, comentou a PM.
Em maio, a DEIC e a CPFL apreenderam 1.400 equipamentos no estado de São Paulo. Mais tarde, naquele mesmo mês, a Polícia Civil do RJ também encontrou uma fazenda ilegal de mineração na Zona Norte da cidade. A frequência de casos mostra como o crime está explorando novas tecnologias.