PREVIC veta que fundos de pensão do Brasil invistam em bitcoin e criptomoedas

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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A PREVIC no Brasil emitiu uma nota pública confirmando que vetou que as EFPC, ou fundos de pensão, invistam em bitcoin e criptomoedas no país.

Enquanto em outros países, como nos EUA, por exemplo, a prática ainda é permitida, no Brasil a regulação veta tais investimentos.

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As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), também conhecidas como Fundos de Pensão, são as responsáveis por administrar previdências privadas no Brasil. Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) é o órgão responsável por fiscalizar e supervisionar as atividades das EFPCs.

PREVIC diz que vetou que fundos de pensão no Brasil invistam em bitcoin e criptomoedas

Declarando publicamente que não há nenhuma ingerência do Presidente Lula em sua atuação como órgão regulador, a PREVIC divulgou uma nota na última quarta-feira (29) sobre uma matéria do Estadão. Em nota, o regulador declara que atua no mercado em observância às normas internacionais.

Assim, a PREVIC divulgou que elaborou um estudo pedindo alteração na Resolução CMN 4994/2022. Isso porque, a Resolução CVM 175/2022 trouxe ao mercado novas possibilidades de investimentos, que atualmente não estão disponíveis para a previdência privada no Brasil.

“Caso não seja atualizada a Resolução CMN 4994/2022, os fundos de pensão estarão impedidos de aplicar em boas oportunidades de investimento, com impacto na rentabilização das reservas de seus planos, em prejuízo para o patrimônio de participantes e assistidos“, diz a PREVIC em nota.

Com as normas atuais, o regulador dos fundos de pensão avaliou tecnicamente e vetou a aplicação em bitcoin e criptomoedas pelas entidades. Além disso, liberou investimentos nos produtos chamados Fiagros (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais), e em ativos de carbono.

Ou seja, com as normas atuais, os fundos de pensão não podem investir na classe chamada pelas autoridades de “criptoativos”. Vale lembrar que só em 2024, o bitcoin valorizou 94% no Brasil, hoje cotado a R$ 416 mil por unidade, o que deixa complicado para qualquer gestor de fundos ignorar seus resultados.

“Mercado altamente regulado”

Na mesma nota, a PREVIC deixa claro que os fundos de pensão operam em um ambiente rigorosamente regulado, seguindo normas rígidas de investimento. Assim, cada decisão deve estar alinhada com o plano de investimentos e passar pela aprovação do comitê de investimento e da diretoria da entidade, o que envolve um processo decisório complexo.

As normas de governança asseguram a independência das decisões, evitando ingerências políticas. As entidades precisam de uma ampla e diversificada gama de produtos, permitindo que tomem decisões de forma autônoma e regulada, com foco em metas de rentabilidade a médio e longo prazo.

O regulador ainda destacou que, em caso de descumprimento de normas, pode atuar com processos sancionadores. Entre as penas, há previsão de advertência, multas (entre R$ 40 mil e R$ 4 milhões, por infração), suspensão e inabilitação (de 2 a 10 anos). Em casos de fraude ou indícios de crime, comunica a ocorrência ao Ministério Público para providências.

Enquanto Brasil veta, EUA avança

A realidade do Brasil no que tange ao mercado de bitcoin e criptomoedas é uma das mais promissoras do mundo. O país já regulamentou o mercado, através da Lei 14.478/2022 e tem várias normas tanto na Receita Federal quanto na CVM.

Mesmo assim, a trava nos fundos de pensão ainda separam o país da realidade vivida nas principais potências. Na última terça-feira, por exemplo, o CFO do Estado da Flórida endossou publicamente uma ‘Reserva Estratégica de Bitcoin’. No documento, ele pressiona fundos de pensão para “bombeiros, professores e policiais” a comprar bitcoin.

A autoridade ainda chamou a moeda digital de ouro digital, declarando que este ativo pode ajudar na diversificação e prover segurança de longo prazo aos investimentos.

Por fim, caso uma nova resolução do Conselho Monerário Nacional altere liberando os fundos de pensão a investir nesta classe, aí sim o país poderá se aproximar das tendências mundiais.

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