Primeiro funcionário da BitMEX é acusado de lavagem de bilhões de dólares

A CFTC também está processando a BitMEX em ações civis contra seus fundadores e uma série de entidades associadas a exchange.

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Greg Dwyer. Imagem: Youtube
Greg Dwyer. Imagem: Youtube

O primeiro funcionário da BitMEX, Greg Dwyer, está envolvido no centro de um dos maiores escândalos da curta história do mundo das criptomoedas. Ele, juntamente com os fundadores da exchange de criptomoedas é acusado de desrespeitar as sanções ao Irã e permitir que o crime organizado lavasse bilhões de dólares através da exchange.

Greg Dwyer é um gênio da matemática de 37 anos, nascido no subúrbio de Gordon, em Sydney, se formou no prestigioso St Ignatius College, Riverview e Sydney University. Ele está “foragido” depois de ser acusado em outubro do ano passado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos de conspiração ao violar as leis de sigilo bancário e as leis de combate à lavagem de dinheiro dos Estados Unidos.

Imagens tiradas dos feeds de mídia social de Greg Dwyer de Lamborghinis em uma conferência bitcoin em Manhattan.
Imagens tiradas dos feeds de mídia social de Greg Dwyer de Lamborghinis em uma conferência bitcoin em Manhattan.

Os advogados do australiano publicaram uma declaração por meio de uma empresa de relações públicas de crise de Nova York, afim de explicar o envolvimento no caso entre o governo dos Estado Unidos e o seu cliente.

Na declaração, eles explicam que estão constantemente conversando os promotores do caso sobre o agendamento da apresentação do seu cliente na justiça dos EUA. Os advogados também relatam que as acusações são infundadas.

A SEC, o órgão regulamentador dos EUA, descreveu a BitMEX como uma “plataforma para lavagem de dinheiro” que operava “nas sombras dos mercados financeiros”.

Somente no ano passado a Bitmex movimentou cerca de US $ 956 bilhões, por isso as acusações por parte dos órgãos regulamentadores tiveram um grande impacto no mercado de criptomoedas, especialmente pelo envolvimento de Arthur Hayes, o principal fundador da exchange, que cativou a mídia financeira americana e inspirou um artigo da Vanity Fair.

No entanto, apesar do profundo impacto que as prisões da equipe do BitMEX tiveram no mercado, o escândalo não afetou a valorização das criptomoedas, especialmente no preço do Bitcoin, que esta semana, atingiu novas altas, se aproximando dos US $ 50.000 após a notícia de que Tesla de Elon Musk comprou US $ 1,5 bilhão na criptomoeda, intensificando ainda mais seu entendimento como reserva de valor.

O crescimento da BitMEX

A BitMEX foi uma das primeiras exchanges de criptomoedas a permitir que os usuários pudessem operar comprando ou vendendo criptomoedas “apostando” no bitcoin usando derivativos financeiros arriscados (e ilegais nos EUA) que permitem que os “investidores” aumentem o valor de seu investimento em até 100 vezes.

De acordo com a acusação criminal dos Estados Unidos, Dwyer trabalhou como executivo sênior dentro da exchange desde 2015, o processo criminal aponta que ele administrava a empresa no escritório em Manhattan, como chefe de desenvolvimento de negócios. No ano de 2019 ele se mudou para trabalhar nos escritórios da BitMEX nas Bermudas.

Em documentos judicias, Dwyer é descrito como um “amigo de longa data e ex-colega de Hayes”. Eles se conheceram em 2011 quando ambos trabalhavam no escritório do Deutsche Bank em Hong Kong. Na época, Hayes também trabalhava como DJ e era conhecido como “DJBD”.

Postagens nas redes sociais sugeriram que Dwyer estava nas Bermudas.
Postagens nas redes sociais sugeriram que Dwyer estava nas Bermudas.

Foi no Deutsche Bank que Dwyer e Hayes deram início no mercado financeiro como “traders de ações sintéticas”, corretores de derivativos exóticos e de risco que basicamente são apostas em vários ativos financeiros.

Os derivados financeiros que a BitMEX disponibiliza para os seus usuários permitem que eles possam negociar bitcoin e outras criptomoedas sem necessariamente possuir uma.

Em 2018, Dwyer foi entrevistado na Business Insider TV nos Estados Unidos, na entrevista ele falou sobre o avanço das criptomoedas depois que a Chicago Mercantile Exchange (conhecida como CME) e a CBOE Futures Exchange (CFE) disponibilizaram a negociação de contratos futuros de criptomoedas.

Mas foi em 2019 que a BitMEX alcançou o auge, Arthur Hayes, o CEO da exchange, foi destaque nas notícias depois de iniciar uma discussão em uma conferência em Taiwan com o respeitado economista e crítico das Nouriel Roubini.

Roubini acusou a BitMEX de operar um negócio ilegal nos EUA, ao disponibilizar para residentes do país operações usando derivativos financeiros arriscados mesmo sendo ilegal. Hayes se defendeu das acusações, mas a denúncia de Roubini desencadeou uma grande investigação por um dos principais reguladores de mercado, a Commodities Futures Trading Commission (CFTT).

Os “crimes” da BitMEX

A acusação dos EUA é o resultado desta investigação. A CFTC também está processando a BitMEX em ações civis contra seus fundadores e uma série de entidades associadas a exchange, incluindo o Grupo 100x. O processo civil não cita o australiano.

Em geral, os fundadores da BitMEX são acusados de desrespeitar propositalmente leis contra lavagem de dinheiro, especialmente a lei “conheça seu cliente” que é uma das mais importantes, justamente por não permitir que pessoas abram contas anônimas. A acusação também alega que os fundadores da exchange, também de propósito, não cumpriram as regras implementando procedimentos para impedir a lavagem de dinheiro.

Autoridades dos Estados Unidos afirmam que a BitMEX estava sendo utilizada por seus clientes para “lavar” dinheiro. Eles apontam que por volta de maio de 2018, Arthur Hayes, recebeu uma notificação alegando que a BitMEX estava sendo usada por hackers responsáveis por um esquema criminoso envolvendo criptomoedas. Segundo a acusação, a BitMEX não implementou uma política anti-lavagem de dinheiro em resposta a notificação.

A BitMEX também é acusada de permitir que clientes localizados no Irã, através da exchange, driblassem as sanções impostas pelos EUA ao país. As autoridades americanas acusam a BitMEX de permitir que os iranianos pudessem utilizar a plataforma de negociação de criptomoedas entre pelo menos novembro de 2017 até abril de 2018.”

As autoridades norte-americanas declaram que os fundadores da exchange não criaram processos realmente efetivos contra a lavagem de dinheiro, na verdade, segundo a acusação, a BitMEX criou procedimentos falhos apenas para tentar aparentar as autoridades do país que estavam implementando os procedimentos corretos. A acusação também aponta que os fundadores da BitMEX se mudaram do país e foram para Seychelles, na costa leste da África, afim de evitar as regulamentações dos EUA.

Após as investigações e ser acusada de práticas ilegais nos EUA, os escritórios da BitMEX foram transferidos de Nova York para as Bermudas. O governo de Bermudas é um dos mais favoráveis ao desenvolvimento de empresas do setor de criptomoedas, tornando o país propício para o desenvolvimento de exchanges e Ofertas Iniciais de Moeda (ICOs).

Diego Marques
Diego Marques
Começou em 2016 como um dos primeiros redatores do Guia do Bitcoin. Diego tem preferência por notícias que podem influenciar o preço das criptomoedas, mas também gosta de escrever curiosidades do cripto-universo.

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